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Viva Maria começa as celebrações do Dia Internacional das Parteiras

Dona Zenaide defende a valorização e melhores condições para parteiras
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Viva Maria
04/05/2026 - 07:27
Brasília
Bebê, Nascimento, Imagem de bebê saudável., Gravidez, Parto. Foto: orzalaga/Pixabay
© orzalaga/Pixabay

Olá, gente amiga desse nosso programa que, neste 4 de maio, começa essa primeira semana desse mês marcado pelo cuidado e pela celebração da maternidade, lembrando aquelas que são mães antes mesmo do primeiro choro. São as parteiras, guardiãs do nascer. Estamos na véspera do Dia Internacional das Parteiras e queremos, desde já, nos embalar pela sabedoria ancestral dessas mulheres que fazem do próprio corpo uma ponte entre mundos.

São mulheres que acolhem, orientam e sustentam a vida no seu instante mais delicado e, ao mesmo tempo, mais poderoso. E nesse clima de reverência, a gente convida você aí a se aproximar da palavra de Dona Zenaide. Essa parteira que carrega nos gestos e na memória os saberes do umbigo do mundo, compartilhados no podcast das Supermarias, aqui mesmo, no nosso programa. E ela conta que nasceu aos 10 anos. Vamos entender essa história direitinho?

Pois é, Mara Régia, eu nasci com 10 anos porque a parteira só nasce quando ela faz o primeiro parto, aí que ela nasce. E lá na comunidade que eu morava, que fica no Tarauacá, no Jordão, eu fui convidada para fazer um parto, eu tinha 10 anos, era da minha tia. Eu fiz esse parto por necessidade, porque não tinha quem fizesse.

Ela falou comigo para fazer e eu fui, aceitei com muito medo, mas eu não queria deixar ela desassistida. Aí eu fui fazer o parto dela. Aí quando botou mesmo para parir mesmo, que ela... "Vem cá, minha filha", eu fui, com medo de ir, mas fui. Aí quando eu cheguei e vi, ela estava de cócoras, né? E eu vi aquela cabeça preta saindo ali... "Jesus do céu, tende misericórdia, eu vou fazer em nome de Jesus". Ela me ensinando, falando lá, gemendo e falando, e eu cuidando. Aí o neném veio, ela mandou eu pegar uma fraldazinha e pegar ele. Aí eu peguei, graças a Deus, e deu tudo certo. Depois que eu fiz o parto, eu chorei e foi tempo. Dei conta de tudo!

Com todos os dons, Zenaide, além de parteira, é militante na luta pelo reconhecimento da profissão e pela melhoria das condições de trabalho das parteiras, principalmente daquelas que habitam o "planeta Amazônia".

Primeira coisa é que elas trabalham muito e não recebem coisíssima nenhuma, principalmente as de lá de onde eu trabalho. Às vezes elas vão para a casa da parturiente, porque lá o povo são pobre, o povo são carente, o povo da zona rural. Porque não tem como as mulheres que moram nas zonas rurais, longe das cidades, virem fazer parto na cidade. Porque às vezes tem barco, tem tudo, mas na hora às vezes não tem a gasolina, não tem isso, não tem aquilo. Aí tem que ser lá. A arte de partejar tem que ser exercida sempre, sempre, sempre. E esse dom de partejar sempre vai existir.

 Pois é, valorização sempre foi o que Zenaide quis da vida. E graças a esse nosso Rádio Mulher, eu descobri esse desejo há tanto acalentado pela nossa parteira numa entrevista. Até hoje, ela lembra da pergunta.

Ela me perguntou o que era que eu tinha mais vontade de alcançar na minha vida. Eu falei para ela que era ser uma parteira reconhecida. Aí ela foi me colocou em contato com a Eliane Brum, que fez uma matéria maravilhosa, nessa matéria nacional. Essa matéria me fez eu crescer com o trabalho, com viagens, e fui descoberta também que era cantora e compositora. Comecei a compor, fazer as músicas dos partos quando as crianças nascem, músicas da natureza, músicas do Brasil.

Aí fui reconhecida lá da Espanha, mandaram um convite para mim cantar lá na Espanha o ano passado. Eu sei que tem dado tudo certo de lá para cá. Quando eu chego nos cantos, as pessoas já me chamam assim: "Olha, aí vem a parteira, a mulher que nasceu com 10 anos". No ano retrasado, em dezembro, fui convidada para fazer um parto em São Paulo, passei um mês lá em São Paulo com uma mulher lá.

Mara Régia, viver aqui no Acre é maravilhoso, sabe? Ter contato com esta mulher, é uma mulher que sabe conversar com a gente, sabe obter o que a gente quer. Eu não podia deixar de contar essa história para vocês porque eu estava ansiosa para falar para todas vocês — mulheres negras, brancas, pardas, morenas, índias, ribeirinhas, quebradeiras de coco. Lá no seringal, a gente tem um radiozinho a pilha que pega a rádio onde a Mara Régia é locutora. A gente fica ouvindo ela falando: "Atenção, atenção povo!", e aquela animação medonha, é muita felicidade. Agora eu quero agradecer a todas vocês e mandar um beijo no coração, um cheiro e um abraço.

 

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