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Férias aumentam preocupação com exposição de crianças a telas

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Oussama El Ghaouri - Repórter da Rádio Nacional
13/07/2026 - 10:37
São Paulo
Games, jogos eletrônicos, Celular
© Marcello Casal JrAgência Brasil

Nesse período de férias, a rotina das famílias muda e surge um desafio comum: como ocupar o tempo das crianças de forma saudável?

Uma das preocupações é reduzir o tempo que as crianças e os adolescentes passam em frente às telas, e não é à toa.

A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que o uso excessivo de dispositivos digitais pode prejudicar o desenvolvimento e a interação social.

Segundo a pediatra Ana Márcia Guimarães, existem limites de tempo recomendados para cada faixa etária: "Até 2 anos é tempo zero de tela. De 2 a 5 anos é 1 hora de tela por dia. De 5 a 8 anos, mais ou menos, 2 horas de tela. Os adolescentes, em torno de 3 horas de tela", diz.

Para além de monitorar o relógio, as férias também são uma oportunidade para resgatar o direito fundamental de brincar.

Para Gabriel Salgado, gerente de educação do Instituto Alana, a brincadeira é a linguagem mais genuína da infância e é essencial para que a criança compreenda o mundo ao seu redor: "O brincar fortalece a autonomia, a criatividade e, principalmente, o brincar livre na natureza", fala.

Substituir o tempo no celular por atividades manuais, leitura ou passeios ao ar livre exige disponibilidade dos pais. E essa presença é importante para construir relações seguras e afetivas entre pais, crianças e adolescentes.

Gabriel Salgado explica também que as famílias não devem se preocupar com momentos de ócio, quando as crianças ficam sem atividades.

"A gente eh sempre sugere que as férias, elas possam se estabelecer como uma oportunidade para a criança explorar o seu tempo livre, inclusive por meio do tédio. Ele é fundamental para a criança não possa somente se relacionar com o outro, com os mais velhos, com os idosos muitas vezes, mas também que ela possa se relacionar com ela mesma."

Mas quando o uso da tecnologia for inevitável, o acesso ao aparelho celular ou outros dispositivos nunca deve ser feito de forma isolada, como em quartos fechados, como detalha a pediatra Ana Márcia Guimarães: "As crianças são vulneráveis na internet. Quanto menor, mais vulnerável. Os pais têm que estar perto", completa.

O segredo para as férias inesquecíveis, portanto, parece estar menos na sofisticação de brinquedos e mais na qualidade da presença e do afeto entre pais e filhos.

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