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Internacional

Organização diz que ofensiva israelense foi direcionada à imprensa

Ataques a hospital em Gaza deixaram cinco jornalistas mortos
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Rafael Gasparotto* - repórter da Rádio Nacional
25/08/2025 - 20:15
Brasília
Equipment used by Palestinian cameraman Hussam al-Masri, who was a contractor for Reuters, lies at the site where he was killed, along with other journalists and people, in Israeli strikes on Nasser hospital, in Khan Younis in the southern Gaza Strip, in this still image taken from video, August 25, 2025. REUTERS/Hatem Khaled     TPX IMAGES OF THE DAY
© REUTERS/Hatem Khaled/Proibida reprodução

Ataques israelenses contra um hospital no sul de Gaza causaram a morte de, pelo menos, 20 pessoas. Cinco eram jornalistas.

Desde o início da guerra, mais de 260 profissionais de imprensa foram assassinados no território palestino. Foram dois ataques em sequência. Testemunhas relataram que, após o primeiro bombardeio, equipes de resgate, profissionais de saúde e jornalistas correram para o local. Neste momento, ocorreu o segundo ataque.

Ao menos 20 pessoas morreram, incluindo 5 jornalistas: Hussam Al-Masri, repórter cinematográfico da Agência Reuters, morreu no primeiro bombardeio. Também foram assassinados Mariam Abu Dagga, videojornalista e colaboradora da Agência Associated Press, Mohammed Salama, fotógrafo da TV Al-Jazeera, Moaz Abu Taha, que prestava serviços à TV norte-americana NBC e Ahmed Abu Aziz, que trabalhava para veículos de imprensa árabes.

As agências de notícias Reuters, Associated Press e Al Jazeera lamentaram as mortes e ressaltaram que Gaza é um local extremamente perigoso para profissionais de imprensa.

O diretor da organização Repórteres Sem Fronteiras, Thibaut Bruttin, qualificou a situação como "chocante" e disse que há indicação de que tenha sido uma ofensiva direcionada contra jornalistas. Ele afirmou que "um primeiro drone atingiu o terceiro andar do hospital, conhecido por ser um espaço onde jornalistas trabalhavam. Oito minutos depois, enquanto equipes de resgate e jornalistas entravam para ajudar, houve a segunda explosão".

As Nações Unidas também criticaram o ataque e o assassinato de civis, jornalistas e profissionais de saúde.

O presidente francês Emmanuel Macron chamou o ataque de intolerável e disse que civis e jornalistas precisam ser protegidos em quaisquer circunstancias. Ele também defendeu que que a mídia deve poder cumprir seu papel de forma livre e independente, para mostrar a realidade do conflito.

A Turquia reagiu de forma ainda mais dura. O presidente do país, Tayyip Erdoğan, disse que o governo israelense continua com seus ataques, para destruir tudo o que representa a humanidade. O ministro da saúde turco, Kemal Memişoğlu, disse que Israel "age sob a ilusão de que pode impedir que a verdade seja divulgada por meio seus ataques sistemáticos a jornalistas".

O primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu chamou o ataque de "acidente" e disse que o episódio será investigado.

*Com informações da Agência Reuters e reportagem de Iara Balduino

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