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Justiça

Marielle e Anderson: emoção marca fim do julgamento de mandantes

Familiares, políticos e amigos destacam luta por justiça e condenações
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Daniella Longuinho – Repórter da Rádio Nacional
25/02/2026 - 19:57
Brasília
Brasília (DF), 25/02/2026 – Na foto da esquerda para direita,  Antônio Francisco (pai),  ministra Anielle Franco (irmã), Luyara Franco (filha), Marinete Silva (mãe), Mônica Benicio (esposa).
Familiares da ex vereadora, Marielle Franco posam para foto no plenário da primeira turma durante segundo dia do julgamento no STF dos mandantes do assassinato da ex-vereadora, Marielle Franco.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
© Valter Campanato/Agência Brasil

Familiares, políticos e amigos se emocionaram ao fim do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira (25), que condenou os mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O crime ocorreu em março de 2018.

Marinete da Silva, mãe de Marielle, destacou os anos de luta por justiça e o papel das instituições democráticas nesse processo:

"A gente sai daqui com o coração acalentado. Acho que eu, como mãe, depois de viver esses anos — já fiz 74 anos e estou nessa luta incansável esses anos todos por trazer a Marielle, trazer o Anderson, trazer esse legado, para que o mundo saiba quem foi a minha filha e por que isso tudo aconteceu. A gente tem hoje uma resposta, e eu agradeço muito, muito profundamente. Dizer que é possível, sim, a gente acreditar em uma instituição séria, com dignidade, com respeito, com uma democracia plena. Porque, se não fosse isso, nós também não estaríamos aqui."

 A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, afirmou que a condenação é um recado para a parcela da sociedade que minimizou o assassinato da vereadora:

"Todas as vezes que a gente falou de justiça por Marielle e Anderson, todas as vezes que nós falamos de quem mandou matar e quem matou, as pessoas debochavam da gente. Eu cheguei poucos minutos depois do assassinato da minha irmã no local do crime, e eu jurei ali mesmo que eu ia honrar o sangue da minha irmã, e assim a gente está fazendo. Então, antes de falarem ou pensarem qualquer coisa contra a índole, o caráter ou a memória de Marielle, vão ter que lidar com os fatos. E os fatos hoje são esses que vocês viram aqui: todas as condenações, os mandantes sendo condenados, mas, acima de tudo, a memória da família, o legado de Marielle e a luta, que, para a gente, não para aqui."

Agatha Arnaus Reis, viúva do motorista Anderson Gomes, falou dos casos de violência no Rio de Janeiro e da luta contra a impunidade:

"Embora a gente veja, principalmente no Rio de Janeiro, que foi onde aconteceu a morte deles, o cenário absurdo que se encontra de impunidade, de criminalidade, ainda há esperança, ainda há quem faça o bem, e aí sim o mal não vai sobreviver. E eu tenho fé ainda. Hoje foi a prova disso, e eu espero que alcance também muitos outros casos de muitas outras pessoas que também aguardam resposta."

Luyara Franco, filha de Marielle, ressaltou o alívio com o fim do julgamento e a coragem das famílias em busca de resposta sobre os assassinatos:

"Acho que hoje eu queria agradecer, mas também ressaltar a coragem das nossas famílias. Porque, se a gente chegou aqui hoje, foi porque há oito anos a gente continua ecoando a pergunta de quem mandou matar Marielle, e hoje a gente sai com a resposta. Que dá para a gente minimamente um alívio, mas a gente sabe que a justiça é muito maior do que isso. Justiça passa pela indenização, pela reparação, pela não repetição. Acho que ontem completaram-se 94 anos, enfim, que a mulher pode ter o direito de ser votada e votar. Então, acho que hoje, para além disso, é uma resposta às 46.502 eleitores da minha mãe."

Fernanda Chaves, a assessora de Marielle Franco que sobreviveu ao atentado, disse que o STF tomou uma decisão histórica no combate à violência de gênero na política:

"O Estado brasileiro hoje passa um recado de que crimes como esse, o feminicídio político, ele não é tolerado, ele não será tolerado. O Brasil responde aos brasileiros, responde ao mundo inteiro, uma pergunta que a gente se passou fazendo por oito anos, quase uma década. É muito tempo."

A vereadora Mônica Benício, viúva de Marielle, destacou o recado político do julgamento;

"O recado político que foi colocado, muito debatido hoje no voto dos ministros e da ministra Cármen Lúcia, tem uma coisa que é muito certa: o corpo da Marielle é entendido como o corpo que é o corpo descartável. É o corpo da mulher negra, favelada, periférica, socialista. E o recado político, se acreditou que não ia alcançar ou gerar a comoção que gerou. No dia 15 de março de 2018, o Brasil inteiro chorava, porque entendia que o que aconteceu ali era não só uma grave violação de direitos humanos, mas um atentado à democracia."

As penas dos condenados pela participação no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes variam de nove anos a 76 anos de prisão. Eles também deverão pagar indenização para os familiares das vítimas.

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