Votação da segunda denúncia contra Temer na CCJ deve prosseguir até amanhã
Deputados da oposição chegaram cedo ao plenário 1 da Câmara dos Deputados para a reunião da Comissão de Constituição e Justiça que vai discutir e votar o parecer sobre a denúncia contra o presidente da República, Michel Temer, e os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil e Moreira Franco, da Secretaria-Geral.

A Procuradoria-Geral da República acusa os políticos de organização criminosa e obstrução de justiça. O relator do caso, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), diz que a denúncia deve ser rejeitada.
O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) foi o primeiro a se inscrever para falar nessa reunião, que deve durar mais de 20 horas.
Molon diz que o governo está fragilizado e pode perder votos.
Sonora: “Nossa expectativa é ter mais votos na CCJ do que tivemos na primeira denúncia. E também ter muito mais votos do que quando houve a votação da primeira denúncia no plenário. Isso porque o governo está muito mais frágil. As novas delações reforçaram a denúncia. A gente percebe desespero do governo, por exemplo, com a carta distribuída ontem pelo presidente aos deputados. Isso mostra que o governo sabe que terá menos votos nessa votação.”
Essa carta à qual o deputado se refere foi remetida ontem (16), pelo presidente, aos parlamentares.
No documento, Temer defende sua inocência diante das acusações da Procuradoria-Geral da República.
O presidente diz que está em curso uma conspiração para derrubá-lo. Conspiração essa envolvendo o ex-procurador geral da República Rodrigo Janot, os empresários Joesley Batista e Ricardo Saud, além de Lúcio Funaro, autor da delação premiada que embasa a segunda denúncia da PGR contra Temer.
Integrante da tropa de choque de Temer na Câmara, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) nega algum desespero por parte do governo.
Sonora: “Não existe desespero. Eu diria que houve um desabafo do presidente, em algumas situações. Eu corroboro as palavras do presidente. Eu acredito, sim, que se estabeleceu uma conspiração. E o presidente desabafou. A oposição está no seu papel. E nós, que somos a situação, temos que trazer a discussão para o caminho da responsabilidade, tanto na CCJ quanto no plenário.”
A reunião começou com meia hora de atraso e deve se estender até amanhã (18).
No debate, serão usados os mesmos procedimentos da primeira denúncia, com 15 minutos para cada integrante da CCJ – são 66 titulares e 66 suplentes – e 10 minutos para não membros contra e a favor do prosseguimento da denúncia, com até 20 em cada grupo. Cada advogado terá 20 minutos para o pronunciamento final.
Depois de passar pela comissão, o parecer será votado em Plenário. É ali que será decidido se a Câmara autoriza, ou não, a abertura de processo contra Temer, no Supremo Tribunal Federal (STF).