Moro nega favorecimentos na Lava Jato e diz que mensagens podem ter sido alteradas

CCJ do Senado

Publicado em 19/06/2019 - 21:14 Por Kariane Costa - Brasília

Foram mais de sete horas de reunião com a participação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, na CCJ do Senado. Moro foi até o Congresso Nacional para dar explicações sobre a divulgação de supostas conversas dele com membros do Ministério Público, integrantes da força-tarefa da Lava Jato, quando ainda era juiz da 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba.

 

Aos parlamentares, o ministro negou que ele e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da operação, tenham feito qualquer tipo de complô para condenar ou favorecer determinadas pessoas nas investigações.

 

Durante a reunião, Moro foi questionado sobre a possibilidade de deixar o cargo para que se garanta a isenção em eventuais investigações sobre sua conduta como juiz da Operação Lava Jato. E disse que não tem apego ao cargo.

 

O ministro voltou a chamar as reportagens do site The Intercept Brasil, que vem sendo divulgadas desde o dia 9 de junho, de sensacionalistas, e disse que não viu qualquer infração nos diálogos. Ele comentou que não pode reconhecer a autenticidade dessas conversas e afirmou que elas podem ter sido adulteradas.

 

Em diversos momentos, Moro disse que agiu dentro da Lei e que é comum juiz conversar com a acusação, e afirmou que essa prática  faz parte da tradição jurídica brasileira. Ele também disse que a invasão do seu celular foi coordenada por um grupo criminoso.

 

Sérgio Moro levou até a CCJ números da Lava Jato. Segundo o ministro, o Ministério Público recorreu em 44 das 45 sentenças da operação, e ele absolveu 21% dos acusados, o que revelaria que não houve convergência total entre acusação e juiz.

 

Mas, para alguns senadores, os diálogos revelam uma quebra da imparcialidade e da distância que juízes deveriam ter entre as partes do processo.

 

O senador Fábio Contarato, do partido Rede, afirmou que esse comportamento compromete a Justiça.

 

Por outro lado, o ministro Sérgio Moro recebeu apoio. Ele foi defendido por alguns senadores, que alegaram que ele prestou um bom serviço à sociedade e que os supostos diálogos não comprometem esse trabalho. Foi o caso do Senador Alvaro Dias.

 

Nos diálogos divulgados pelo site The Intercept Brasil, Moro trata de diversos assuntos com o procurador Deltan Dallagnol. Entre eles, aspectos envolvendo o processo do triplex, relativo ao ex-presidente Lula, e uma ação contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

 

O ministro afirmou que não tem mais as mensagens porque apagou o aplicativo Telegram do celular ainda em 2017.

 

* Colaborou: Lucas Pordeus León

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