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Política

Em curto depoimento, dono da Reag diz que Master era cliente "normal"

Na sessão, CPI do Crime Organizado aprova novas quebras de sigilos
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Priscilla Mazenotti - repórter da Rádio Nacional
11/03/2026 - 14:44
Brasília
CPI do Crime Organizado (CPICRIME) realiza oitiva do fundador e ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos.

A CPI apura suspeitas de lavagem de dinheiro e uso do comércio de joias para movimentar recursos de facções, além de avaliar a eficácia das políticas públicas de combate à lavagem de dinheiro no País. 

A finalidade da comissão é apurar a atuação, expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial de facções e milícias, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, especialmente por meio do aperfeiçoamento da legislação atualmente em vigor. 

Mesa: 
ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos, João Carlos Falbo Mansur - em pronunciamento.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
© Geraldo Magela/Agência Senado

O depoimento do fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, na CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira, 11, foi curto. Menos de uma hora. É que ele estava protegido por um habeas corpus. Tinha o direito ao silêncio. Logo no início, o advogado José Luis Oliveira Lima, deu o recado.

“Ele vai usar o direito constitucional de não responder a indagações. Mas, evidentemente, está aqui, presente, para escutar as indagações, mas, evidentemente ele vai se manter em silêncio”.

E o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, do PT do Espírito Santo, fez um apelo.

“Qual a imagem que o senhor transfere para os seus filhos quando estão assistindo a todos nós e que veem o senhor aqui, exercendo um direito constitucional, obviamente, não falando sobre questões que, pra mim, são elementares”.

Só depois disso que Mansur resolveu falar. Mas só por poucos minutos. Disse que a Reag, que é investigada no envolvimento dos esquemas com o Master, foi punida por ser grande e independente. Tinha, até agosto passado 800 funcionários e administrava mais de 700 fundos.

A Reag é citada na operação Compliance Zero e Carbono Oculto, que investigam a infiltração do crime organizado no sistema financeiro. João Carlos Mansur, afirmou também que o Master era apenas um cliente. Como tantos outros.

“O Banco Master era um dos clientes, como outros bancos, como outras instituições financeiras e como outras empresas de mercado. Um cliente, como o senhor, como eu, como nosso advogado. Normal”.

Depois disso, só o silêncio e o fim da reunião. O entendimento dos senadores era o de que não valeria a pena esticar as perguntas sem que houvesse resposta. E, se, por um lado, a reunião desta quarta-feira foi considerada pouco produtiva da parte do depoimento, por outro, foi considerada importante pelos requerimentos aprovados. É que disse o relator, senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe.

“Não avançou nas questões mais delicadas. São aquelas que envolvem os fundos investigados. Seja por lavagem de dinheiro do PCC, seja por lavagem de dinheiro oriundo de corrupção e de outras operações criminosas do Banco Master e de outros clientes da Reag. Mas foi uma sessão produtiva, porque aprovamos uma sequência de pedidos e requerimentos, de acesso a novas quebras e de acesso aos dados de investigação que já estão de posse da Polícia Federal e do relator, André Mendonça”.

Entre os requerimentos aprovados estão o que pede a quebra do sigilo fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, e de Luiz Philippi Mourão, o Sicário. Braço direito de Vorcaro e que se matou após ser preso na semana passada.

Foi aprovada também a convocação de Marilson Roseno da Silva, escrivão de polícia aposentado, e dos servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e Bellini Santana.

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