Atores queridinhos do Brasil atuaram nas radionovelas da Nacional
Difícil não se lembrar de Odorico Paraguaçu, um dos personagens mais marcantes da história da dramaturgia brasileira.

▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.
A novela O Bem-Amado, de Dias Gomes, foi transmitida na TV pela primeira vez em 1973. Mas, ainda hoje, a interpretação genial de Paulo Gracindo é lembrada por eternizar um personagem síntese do coronelismo na política brasileira:
- É uma infâmia! Um achincalhamento debochista e despudorante visando denegrir o nome de Sucupira perante o mundo!
- O senhor já leu todo?
- Não li e não gostei. Quero processar o autor desse livro. Quero metê-lo na cadeia!
Você pode estar se perguntando: mas o que Odorico Paraguaçu tem a ver com a Nacional? É porque toda essa construção de uma trajetória brilhante como ator, que resultou em personagens memoráveis, começou aqui, na nossa casa.
O também ator Gracindo Júnior, filho de Paulo Gracindo, falou sobre essa trajetória.
"Meu pai foi um grande sucesso não só pela sua voz, como pelas suas interpretações. Ele já fazia tipos nessa época, adorava fazer um velhinho, já em rádio. Ele fazia coisas bem além dos galãs, como era o personagem do... Albertinho Limonta que ele fez, né? Do Direito de Nascer".
Não é exagero dizer que a Rádio Nacional foi uma grande escola de atrizes e atores. A voz de grandes nomes da nossa dramaturgia ficou conhecida pelo público bem antes da imagem. Pelos corredores da Nacional circulavam, todos os dias, Mário Lago, Walter Forster, Yara Salles, Brandão Filho, Zezé Motta, Floriano Faissal.
Talita de Miranda, Lourdes Mayer, Cahuê Filho, Rodolfo Mayer, Dulce Martins, Saint Clair Lopes, Nélio Pinheiro, Domício Costa, Roberto Faissal, Tina Vita... para citar apenas alguns de um elenco que chegou a quase 100 contratados no período de maior produção de radionovelas.
Outro grande ator e humorista com passagem pela Nacional, Chico Anysio lembra das atrizes pioneiras.
"Tinha um elenco de novelas, as melhores... ingênuas que se chamavam. Eram Ismênia dos Santos, Isis de Oliveira, Daysi Lucidi, tudo da Rádio Nacional".
Daysi e Gerdal
- Eu era obrigada a casar-me com você, unicamente porque você sonhou isso? Isso é absurdo!
- Absurdo! Absurdo é você preterir-me por um viciado!
- Nem você, nem qualquer outro foi preterido.
- Eu tinha a sua simpatia antes de Mário cruzar o seu caminho, Taís.
- Simpatizamos com tanta gente. Nunca soube que simpatia fosse o bastante para decidir casamento.
Essa personagem feminina forte e altiva da radionovela Acima das Tempestades, que nós acabamos de ouvir, é uma das dezenas de interpretações brindadas aos ouvintes da Nacional pela atriz Daysi Lúcidi.
Um grande orgulho e com um legado enorme deixado na nossa emissora, Daysi permaneceu na casa por mais de 60 anos. Depois das radionovelas, veio o programa Alô, Daysi.
Ao lado de outros grandes nomes da nossa emissora, é ela quem anima o público no aniversário de 79 anos da Nacional, em 2015.
- Que satisfação, que alegria, comemorar mais o aniversário da Rádio Nacional. Tantas glórias...
- Eu que já estou aqui há tantos anos, né? Desde 52 que eu estou aqui na Rádio Nacional. E construir uma vida linda de novelas, encantei esse Brasil inteiro.
E encantou mesmo! Dividindo o mesmo palco nesse dia estava Gerdal dos Santos, contemporâneo de Daysi nas radionovelas e outro patrimônio da Nacional. Os dois relembram a atração pioneira no gênero.
"Todos não acreditavam no sucesso de uma novela pelo rádio. Principalmente [porque] a transmissão dela foi na parte da manhã. Ninguém acreditava e foi o maior sucesso novelístico a novela Em Busca da Felicidade".
Entre várias outras séries e radionovelas, Gerdal emprestou sua interpretação a diferentes personagens no inesquecível Teatro de Mistério:
"O diabo é que todos os suspeitos têm álibis para a hora do atropelamento. Mas não estou convencido, não. Acho que se o senhor investigar o caso, talvez encontre alguma coisa".
E uma grande escola como a Nacional precisa de grandes professores. Com vocês, mestre Gerdal!
"Tem que saber colocar a voz de peito, falando aqui no peito. Tem que saber colocar a voz normal, que ela sai normal. E a voz de cabeça. Olá, como vai você? Vai bem? Isso é uma técnica. Tudo isso para você dar a ideia. Então, como escola, é a maior experiência que eu já conheci".
Créditos:
Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da TV Brasil, do documentário Rádio Nacional, de Paulo Roscio, e da TV Globo. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães. A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.