Caravanas da Nacional percorriam o país em 1940 com artistas do rádio
Fãs. Muitos fãs. Caravanas de ouvintes que se espremiam no auditório da Rádio Nacional para ver de perto seus ídolos da música e das radionovelas.

Na década de 1940, ainda não existia televisão no Brasil, que chegou tímida apenas em 1950. Toda a magia dos artistas da Nacional ecoava pelas ondas do rádio e pelas revistas especializadas.
▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.
Então, chegar pertinho das grandes vozes da emissora, para muitos fãs, era a realização de um sonho. Caravanas de fãs iam até o Edifício A Noite para ver Emilinha Borba ou sua grande concorrente direta, Marlene, outra grande Rainha do Rádio brasileiro.
Outro grande astro que arrastava legiões de fãs para a Nacional era ele, o "Professor", como era chamado pelos apresentadores: o grande Cauby Peixoto.
"Eu cheguei, a rádio era o maior veículo artístico do Brasil. Rasgavam, rasgavam tudo que viam. E eu saí um dia só de cueca".
Caravanas pelo Brasil
Sobre os fãs-clubes destes e de outras grandes personalidades da Rádio Nacional, a gente vai te contar mais nos próximos episódios. Hoje vamos falar também de outras caravanas: as que levavam a emissora para fora dos estúdios no Rio de Janeiro.
As caravanas da Rádio Nacional percorriam cidades do interior e capitais do país, levando ao público a chance de finalmente conhecer, "em carne e osso", os artistas da música e das radionovelas que até então existiam apenas na imaginação dos ouvintes.
Em 1953, a Caravana Rádio Nacional chegou a Belém, no Pará, cercada de enorme expectativa popular. A visita levou ao público paraense alguns dos artistas mais queridos das radionovelas, cantores e locutores que faziam sucesso em todo o país, como Jorge Veiga, Ademilde Fonseca, Adelaide Chiozzo e Isaurinha Garcia.
A passagem pela capital paraense foi notícia de duas páginas inteiras na revista "Vida Doméstica", que existiu entre os anos de 1920 e 1962:
"Jamais uma tão grande caravana de artistas, com quase 80 pessoas, deslocou-se do Rio de Janeiro para realizar espetáculos de grande brilho. Foram músicos, maestros, cantores, além de locutores, arquivistas e diretores, que viajaram 3 mil quilômetros até Belém do Pará. O empenho, o segredo da vitória e o entusiasmo dos artistas confirmavam a força do melhor rádio do Brasil".
Sílvio Santos e o "peru que fala"
A Rádio Nacional foi a escola de um futuro grande comunicador deste país: o apresentador Silvio Santos. Em 1959, com a popularidade em alta, uma caravana de artistas da emissora percorreu ruas da cidade de São Paulo, reunindo multidões e mostrando o poder de mobilização cultural da emissora naquele período. Era a "Caravana do Peru que Fala".
O termo "peru" era um apelido carinhoso criado por Manoel da Nóbrega e Ronald Golias. Silvio Santos ficava tão nervoso e agitado nos bastidores que seu rosto ficava super vermelho, lembrando a cabeça de um peru.
Créditos:
Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação, da TV Brasil e do podcast "Peças Raras", do professor Marcelo Abud. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães. A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.