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Brasília (DF), 03/07/2026 - 90 anos em 90 histórias. Arte/Agência Brasil
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Série

Com Radioagência Nacional, cresce alcance do jornalismo da emissora

Uma reportagem vai ao ar pela Rádio Nacional. Durante alguns minutos, a informação ocupa as ondas do rádio. Mas e depois? O que acontece com aquele conteúdo quando acaba o radiojornal?

Foi para resolver essa equação que nasceu, há mais de duas décadas, a Radioagência Nacional. Criada em 2004, quando a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ainda era a Radiobrás, a Radioagência surgiu a partir de uma ideia simples: aproveitar melhor o conteúdo produzido diariamente pelo radiojornalismo e fazer com que ele não se perdesse depois de transmitido.

▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.  

Antes da Radioagência, uma emissora interessada em utilizar o jornalismo veiculado pela Rádio Nacional tinha, basicamente, a possibilidade de retransmitir o nosso radiojornal.

Com a Radioagência, as rádios poderiam escolher as reportagens e encaixá-las em suas próprias programações, no horário em que bem entendessem. Kátia Sartório era chefe do radiojornalismo da Radiobrás em 2004 e conta a importância da criação da Radioagência Nacional.

“Nós fomos com o projeto de criar a redação multimídia, que era justamente o aproveitamento de todo o material que era produzido, para não se perder e ser reaproveitado. Não podiam entrar com o comercial, porque é isso que as rádios vivem e é do comercial.  Então nós demos para eles uma oportunidade de incluir esse material de acordo com o ritmo e a programação deles”.

E tinha uma diferença crucial: o conteúdo era gratuito. Para Eugênio Bucci, que presidia a Radiobrás na época, a origem da iniciativa estava também em uma carência existente no país: muitas emissoras não tinham acesso a fontes confiáveis de informação.

Para ele, hoje, o cenário é ainda pior, porque entrou em cena a indústria da desinformação.

“Aqueles diagnósticos de 20 anos atrás se tornaram mais graves, e não menos graves, porque veio essa indústria da desinformação. A desinformação que existe aí, ela é fabricada, ela custa dinheiro, ela envolve engrenagens complexas da indústria digital para justamente levar as populações a não acreditarem mais em nada. Isso torna ainda mais relevante o trabalho apartidário, não governista, de uma radioagência de espírito público e de comunicação pública”.

A função da Radioagência ganharia um novo significado quando a Radiobrás se transformou na EBC.

A partir de 2008, o veículo passou a buscar uma perspectiva mais ampla, baseada na diversidade, na pluralidade e no interesse público, e não mais em ações governistas. É o que conta Juliana Cézar Nunes, gestora da Radioagência na época:

“Tinha uma equipe que aproveitava o material que era produzido na época na Radiobrás, mas tinha também a possibilidade de assessores dos ministérios, da Presidência, publicarem conteúdo. Quando eu chego e tá se construindo a EBC, uma das primeiras tarefas que a gente teve foi de fazer essa separação. E fazer, também, uma adequação editorial para aprofundar os princípios da comunicação pública”. 

A mudança também ajudou a transformar a Radioagência em um veículo jornalístico com identidade própria. Vieram reportagens especiais, radiodocumentários, séries e o reconhecimento em várias premiações.

Atualmente, a Radioagência recebe cerca de 1 milhão de acessos por mês, com uma média de 90 mil downloads. São rádios públicas, educativas, comerciais e comunitárias, inclusive emissoras exclusivamente online.

E o caminho também funciona no sentido inverso: emissoras parceiras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) produzem conteúdos que podem ser distribuídos pela agência. Como explica Victor Litaiff, coordenador da Rádio Encontro das Águas, de Manaus, no Amazonas.

“Para nós, de fato, essa parceria de informar também o que acontece aqui no Norte, aqui no Amazonas, enviando esse material, quando a gente vê que sai também no site, que sai no jornal. Para nós é uma grande satisfação e o cumprimento da nossa missão do dever público de informar”.

Podcasts

A lógica de distribuição também precisou acompanhar as novas formas de consumo de áudio. A partir de 2023, a Radioagência passou a investir na produção de podcasts. O primeiro foi o Histórias Raras.

Depois vieram projetos como Ajudante Digital, Perdas e Danos e Crianças Sabidas, além de séries sobre direitos humanos, ciência, história, Amazônia e outros temas pouco explorados pela mídia comercial.

Para a nossa colega Akemi Nitahara, a entrada nesse formato representa também uma modernização da comunicação pública.

“O podcast é um formato que nasceu há 20 anos e teve um impulsionamento muito forte pela mídia pública, tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra, no Canadá, na Austrália. Aqui no Brasil, a gente da EBC demorou um pouquinho para entrar, mas estamos fazendo com muita qualidade e com esse diferencial de tratar de temas muito relevantes e que não são tão abordados por outras produções”.

Em um país gigante, onde o rádio continua sendo o companheiro diário da classe trabalhadora, a Radioagência Nacional amplia a escuta dos conteúdos da Rádio Nacional e contribui para o fortalecimento da cidadania, como conta Sumaia Villela, jornalista do veículo:

“Eu acho que a gente pode se orgulhar da missão que a Radioagência cumpre no país. O rádio é um veículo extremamente popular, ainda. Ele é necessário, presente principalmente no interior do país. É uma forma de consumo de notícia, também, que se encaixa no cotidiano das pessoas que precisam estar sempre em movimento, trabalhando, cuidando de suas casas, das famílias. É um veículo que permite consumir informação ao mesmo tempo em que se pratica outras atividades. Isso é muito importante”.

 

Créditos:

Este episódio usou áudios do especial sobre os 21 anos da Radioagência Nacional, produzido pela própria equipe em 2025. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães.  A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.

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