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Brasília (DF), 03/07/2026 - 90 anos em 90 histórias. Arte/Agência Brasil
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Série

Como as orquestras moldaram o sucesso da Rádio Nacional

17 maestros, 7 flautistas, 11 trompetistas, 35 violinistas. Nas décadas de 1940 e 1950, as contratações da Rádio Nacional para as orquestras da casa tinham números superlativos.

Também não é exagero dizer que o sucesso da emissora a partir de meados de 1940, já líder de audiência, se deve, em grande parte, às suas orquestras e maestros.

O professor e compositor Henrique Cazes explica como esse formato musical foi parar no rádio.

"Em pouco tempo, apoiado no binômio praticidade/baixo custo, você com com cinco, seis músicos e sem necessidade de ter aquela preparação do cara escrever, tirar o tom, escrever o arranjo, o copista vir, fazer a cópia; você tinha uma agilidade e resolvia todo tipo de programação dentro de uma emissora de rádio, inclusive os programas de calouros."

▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.  

Por trás de toda essa pujança das orquestras da Nacional, um dos personagens mais importantes dessa história: Radamés Gnattali. Na emissora desde a fundação, estima-se que ele tenha feito ao longo da trajetória na rádio 15 mil arranjos. Radamés transformou a Nacional em uma verdadeira escola, como explica Henrique Cazes.

"O Radamés foi trazendo aqueles que ele considerava que podiam ser grandes colaboradores não só para montar a orquestra, como também para gerir toda a produção musical. O Radamés teve grandes companheiros ali: Lyrio Panicali, Leo Peracchi. O próprio Gaya trabalhou lá um tempo. A Rádio Nacional começava a virar um laboratório de inovação musical."

Dos programas de auditório aos de calouros, do humor às radionovelas, tudo contava com os músicos da emissora.

A atração Um Milhão de Melodias, patrocinada pela Coca-Cola, é apontada como um marco nesse processo tão rico de criação. Quem conta é Paulo Tapajós, amigo e colega de trabalho de Radamés, em um depoimento gravado em 1967.

"O Um Milhão de Melodias foi o programa que revolucionou o sistema de orquestração da música popular, principalmente da música popular brasileira, dando a ela um caráter completamente diferente. Fugimos do regional, dos violões e cavaquinho, mas mantivemos o violão e o cavaquinho dentro da orquestra, que é para não tirar o sabor. O sabor de brasilidade que o Radamés tem, e que, naquela época, já evidenciava o avanço em que ele estava — 50 anos na frente de qualquer outro músico naquela ocasião — fazia com que os arranjos dele, escritos em 1943 quando estreou o Um Milhão de Melodias, fossem tão modernos e tão atuais como se tivessem sido escritos agora em 1967."

 

Créditos:

Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação, do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e do Instituto Jacob do Bandolim. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães.  A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.

 

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