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Brasília (DF), 03/07/2026 - 90 anos em 90 histórias. Arte/Agência Brasil
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Série

Conheça radionovelas da Nacional inspiradas na realidade

"Os fatos e personagens desta história são fictícios. Qualquer semelhança com casos ou pessoas reais terá sido coincidência".

O aviso era repetido no início de cada um dos mais de 300 episódios do Teatro de Mistério. Os ouvintes já sabiam. Quando tocavam as badaladas, vinha mais um crime a ser desvendado.

▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.  

Apesar do aviso de "mera coincidência", era inegável que a inventividade dos roteiros de Helio de Soveral, capaz de prender até hoje a atenção de diversas gerações de ouvintes, bebia de uma realidade bem brasileira ou, até, carioca.

A edição do jornal A Noite, de 24 de outubro de 1957, anuncia a nova atração que teria sua estreia nos próximos dias, nas noites da Nacional, e afirma que Soveral tinha uma experiência de 21 anos escrevendo conteúdos policiais.

Diz a reportagem que o precoce escritor, aos 14 anos, já havia ganhado um prêmio em um concurso de contos. E, em passagens por outras emissoras, já tinha experimentado o suspense e o mistério.

"Helio de Soveral dotou o seu Teatro de Mistério de características únicas. Por exemplo, a ação se passa no Rio de Janeiro, com ruas, praças, avenidas, linhas de ônibus sempre muito familiares para os ouvintes".

Este é o radialista e pesquisador Roberto Salvador. A ambientação e alguns personagens típicos da realidade do Rio de Janeiro fazem com que alguns episódios sejam associados a situações reais, como assaltos emblemáticos. Ou ao universo da Zona Sul da cidade, ao mesmo tempo boêmio e vulnerável a crimes passionais.

Teatro de Mistério foi a produção dramática que mais tempo esteve no ar na Nacional, por mais de três décadas. Embora nenhuma produção fosse declaradamente baseada em fatos reais, as radionovelas e séries, cada uma ao estilo e ao tema de seu escritor, espelhavam conflitos sociais, morais e políticos da época, como já te contamos nos episódios anteriores.

Novela sobre seringueiros

"No Norte desse nosso maravilhoso Brasil, existem também herois que enfrentam mil obstáculos e perigos. À luz amarelada da lamparina presa à testa por uma fita de lata, a poronga, são tragados pela escuridão da mata virgem. Vão buscar o leite das árvores sangradas, que será transformado em ouro".

Coube a Poronga, Terçado e Coragem trazer outras realidades fora do eixo Sudeste. A radionovela foi escrita por Amaral Gurgel, em 1979, e tem como cenário o ciclo da borracha na Amazônia.

Com 100 capítulos, a radionovela integra o conjunto das últimas longas produções dramáticas feitas pela Nacional, já em um cenário de crise do gênero, com a popularização da TV. Junto com A Vidente e o Vigarista, também de Amaral Gurgel. Ambas foram transmitidas nos anos 1980.

Em 2022, em celebração aos 100 anos do rádio no Brasil, a emissora resgatou as duas produções, completamente preservadas em nosso acervo, e voltou a exibi-las na programação.

Se você está com saudades de Poronga, Terçado e Coragem ou de A Vidente e o Vigarista, todos os capítulos estão disponíveis no canal da Rádio Nacional no YouTube e no Spotify.

 

Créditos:

Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e do canal no YouTube do pesquisador Roberto Salvador. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães.  A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.

 

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