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Brasília (DF), 03/07/2026 - 90 anos em 90 histórias. Arte/Agência Brasil
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Série

De radioator a diretor da Nacional: conheça o legado de Victor Costa

No auge da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, quando o rádio era o principal meio de comunicação do Brasil, um nome se destacou não apenas pelo talento, mas pela visão estratégica. E ele iria ajudar a moldar toda uma era: Victor Costa.

Em 1938, Victor chega à rádio como radioator. Rapidamente sobe de posição: vira diretor de radioteatro e transforma o gênero em um dos carros-chefe da emissora.

A partir daí, o Victor Costa só cresceu. Em 1951, assume a direção-geral. Era um profissional formado dentro da própria emissora, ou seja: alguém que conhecia cada engrenagem do rádio.

▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.  

Para ele, o conteúdo tinha propósito. O rádio era mais do que entretenimento: era uma ferramenta para formar o público, influenciar comportamentos e consolidar valores. Quem conta é o pesquisador Luiz Carlos Saroldi.

"O Victor Costa é, cada vez mais, um homem imprescindível. Porque o departamento de radioteatro vem sendo dirigido por ele desde o primeiro momento, e ele continua à testa disso. E claro, tem autoridade para opinar sobre outras coisas da Rádio Nacional".

Ele também era um homem de negócios. Enxergava o rádio como indústria. Sabia negociar com anunciantes, vender programas e transformar as radionovelas em produtos de alto valor comercial. Ele mesmo conta que os negócios da Rádio Nacional, sob sua gestão, cresceram.

"Assumi a Rádio Nacional. Durante esses 3 anos e 7 meses, procuramos trabalhar da maneira mais honesta possível. Nosso patrimônio aumentou consideravelmente. Os melhoramentos, os novos artistas, tudo isso representa o nosso trabalho".

A relação com Getúlio Vargas

Victor Costa tinha sido indicado ao cargo máximo da Rádio Nacional diretamente por Getúlio Vargas, com quem manteve próxima relação no poder. Mas Victor era categórico ao dizer que nunca quis fazer da rádio uma emissora que só falasse bem do governo.

"Não emprestei o microfone da Rádio Nacional para fazer política do governo. Não recebi qualquer insinuação, qualquer ordem do governo, especialmente do nosso presidente Vargas, para que a orientação política fosse essa ou aquela. Desafio, mesmo, que alguém possa contestar".

Palácio do Catete abre exposição sobre os cinqüenta anos da morte de Getúlio Vargas. O local foi sede da Presidência da República até 1960, quando foi transformado em museu (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Trecho da carta publicado em jornal, exposto em exposição no Palácio do Catete sobre os cinqüenta anos da morte de Getúlio Vargas. - Tomaz Silva/Agência Brasil

A relação com Getúlio gerou um momento histórico para a emissora, segundo Cristiano Menezes, ex-diretor da Rádio Nacional.

"Victor Costa era muito amigo de Getúlio. Ele frequentava o Palácio do Catete, tava sempre lá. Tanto é que ele estava no Palácio de Catete quando Getúlio morreu. O que fez Victor Costa? Ele copiou a carta de Getúlio e mandou entregar o envelope pro Heron Domingues, que leu, em primeira mão, a carta de Getúlio".

Após a morte de Getúlio Vargas, Victor Costa dá um novo passo. Deixa a Rádio Nacional e se muda para São Paulo, onde funda as Organizações Victor Costa. É quando ele adquire a Rádio Excelsior, em São Paulo, e monta a Rádio Nacional que, apesar do nome, não tem relação institucional com a famosa emissora do Rio de Janeiro.

Victor investe em rádio e televisão, amplia sua estrutura e leva para São Paulo grandes talentos do rádio carioca. Sua visão era clara: comunicação como um sistema integrado entre conteúdo e mercado.

Ele morre, em 1959, aos 52 anos. Deixou seu nome em um antigo estúdio da Nacional, ainda no terraço do Edifício A Noite, e sua marca inovadora de fazer rádio na história da comunicação brasileira.

 

Créditos:

Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e do documentário “Rádio Nacional”, de Paulo Roscio. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães.  A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação : Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios : Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.

 

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