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Brasília (DF), 03/07/2026 - 90 anos em 90 histórias. Arte/Agência Brasil
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Série

Nacional investiu em comunicadores para ser líder de audiência

Difícil eleger quem era o comunicador mais popular da Rádio Nacional nas primeiras décadas da emissora. Além de Almirante, Paulo Gracindo e César de Alencar, a lista inclui ainda César Ladeira, Ary Barroso, Lamartine Babo, Celso Guimarães, Manoel Barcellos, Renato Murce.

▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.  

"E eu fui pra Rádio Nacional, uma coisa curiosa, mas a Rádio Nacional não me chamou pelos meus belos olhos, não".

Esse é o próprio Renato Murce relembrando, em um depoimento gravado pelo Museu da Imagem e do Som nos anos 70, como ele chegou à PRE-8. A história que ele conta mostra exatamente a agressividade da Nacional em relação à concorrência, para ter os melhores programas e, claro, os melhores comunicadores.

"A Rádio Nacional só me chamou porque eu tinha três programas no Rádio Clube que a Rádio Nacional não conseguia, com toda a força e com todo dinheiro dela, não conseguia vencer no Ibope, que era o Alma do Sertão, Piada do Manduca e Papel Carbono. Eles fizeram tudo, gastaram dinheiro, chamaram Barbosa Jr., puseram orquestra e chamaram escritor, mas naqueles três horários a Rádio Nacional perdia sempre, longe do Rádio Clube. Nos outros, ganhava. Então o Vitor Costa mandou me chamar".

Na nova casa, os programas de Murce vão continuar com grande sucesso de audiência, como o Papel Carbono, onde os calouros faziam o que hoje nós chamamos de covers. A atração foi uma porta de entrada para nomes que depois se tornariam famosos.

"Porque o Papel Carbono revelou muita gente, cerca de 100 artistas, é uma relação interminável. Ângela Maria imitou Dalva de Oliveira; Agnaldo Rayol, Bobby Breen. Ivon Curi imitou Jean Sablon. Rosita Gonzales entrou num concurso que eu fiz para cantoras mexicanas. Teve tanto sucesso que terminou empatado entre ela, Juanita Castilho e Jerusa de Oliveira. Três cantoras excepcionais. Nesse concurso apareceu Dolores Duran".

Muitos senhores e rapazes, mas poucas senhoras e senhoritas. As mulheres brilhavam na Nacional, mas, sobretudo, como cantoras e artistas. Refletindo a sociedade da época, as vozes femininas apresentando atrações eram raras. Uma delas foi Yara Salles.

Inauguração dos novos estúdios 

Em abril de 1942, um cartaz anunciava a programação especial de inauguração dos novos estúdios da Nacional. As atrações começaram às 10h e terminaram às 23h. O dia de celebração reuniu o suprassumo da Nacional naquela época.

A abertura foi com Celso Guimarães. Um pouco mais tarde, Paulo Tapajós assumiu o microfone. Os humoristas Jararaca e Ratinho também tiveram lugar garantido.

Entre as atrações musicais, os mais conhecidos da época: Nuno Roland, Marília Baptista, Francisco Alves, Orlando Silva, Albertinho Fortuna, Linda Baptista e o conjunto Três Marias.

À noite, entre as atrações, estava o programa Teatro Cômico, sob o comando de Barbosa Júnior, Zezé Fonseca, Floriano Faissal, Yara Salles, entre outros. Celso Guimarães voltou para encerrar o dia com o programa Professor de Otimismo, com o patrocínio do Sal de Frutas Eno.

Era difícil não ficar otimista com o futuro da Nacional. Esse foi só o primeiro dia na novíssima estrutura da rádio, agora à altura do número crescente de ouvintes e anunciantes, que você vai conhecer melhor nos próximos episódios.

 

Créditos:

Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães.  A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.

 

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