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Brasília (DF), 03/07/2026 - 90 anos em 90 histórias. Arte/Agência Brasil
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Série

Para pagar dívidas, Nacional é estatizada pelo governo Vargas em 1940

O ano era 1940. O dia, 8 de março. Foi nessa data que um decreto do presidente Getúlio Vargas criou um novo formato de administração no país: as empresas incorporadas ao patrimônio da União.

Você deve estar se perguntando: onde entra a Rádio Nacional nessa história? Como a gente já contou há alguns episódios, a nossa emissora foi fundada por uma companhia privada, que já era dona do jornal A Noite. A Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande.

▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.  

Mas aí o tal decreto de Getúlio, na letra B, declara que ficam incorporadas, a partir daquele dia, ao patrimônio da União, “todo o acervo das sociedades A Noite, Rio Editora e Rádio Nacional”. Tudo isso porque a Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande devia para a União.

"Na verdade há uma dívida da empresa que cuidava da Nacional com o governo federal", explica a professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Izani Mustafa.

"E Getúlio Vargas, num pensamento que já existia em outros países, do uso do rádio, percebe que ele pode ter a propriedade de uma rádio, e se apodera da Rádio Nacional no sentido de fazer essa troca com o grupo A Noite para controlar a emissora". 

A essa altura, a Rádio Nacional, em funcionamento há quase quatro anos, já estava começando a consolidar a audiência, com programas inovadores e artistas conhecidos. Mas foi a partir desse momento que a emissora começou a dar passos bem maiores.

Novo caminho com Gilberto de Andrade

O professor Luiz Carlos Saroldi explica como essa mudança de administração na emissora não limitou a Rádio Nacional. Pelo contrário.

"Tinha lá dentro um jornalista que conhecia tudo sobre rádio porque já tinha montado 3 ou 4 jornais especializados em rádio. Ele pensava o rádio o tempo todo. Era advogado, promotor, depois, mas ele vive de tal maneira o rádio que o Getúlio coloca esse homem, Gilberto de Andrade, para ser o primeiro diretor da rádio sob as ordens do governo. E esse homem faz uma revolução".

Foi Gilberto de Andrade quem instituiu, na Nacional, a seção de estatísticas, que ajudava a mostrar para os anunciantes a audiência da emissora.

26 mil correspondências. Essa era a média mensal de cartas que a Nacional recebia de ouvintes de todo o país naquela época.

Cartas como esta: "parabenizo todos os artistas desta distinta emissora. Mas Nelson Gonçalves é o maior cantor do mundo e merece ser contratado. Com sua maviosa voz, embevece e torna apaixonados os corações de suas fãs".

Edmo do Valle era contrarregra da Rádio Nacional quando a emissora foi encampada. Ele conta como era a forma de trabalhar de Gilberto de Andrade.

"Ele foi o homem certo no lugar certo. Ele nos conhecia e sabia o que o governo queria. Então, na hora da imposição, ele sempre teve capacidade para colocar as coisas nos seus devidos lugares e proporções".

A partir daí, a Nacional chegaria a cada vez mais lugares e atrairia cada vez mais ouvintes. O aniversário de quatro anos da emissora, com a celebração concentrada em um domingo, 15 de setembro de 1940, mereceu 14 horas de programação especial. Era a nova cara da Nacional se consolidando.

 

Créditos:

Este episódio usou áudios dos acervos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, da BBC Brasil e do acervo pessoal do pesquisador Pedro Serico Vaz. Luciana Valle faz a leitura dramatizada da carta de uma ouvinte. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães.  A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação : Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios : Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.

 

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