Rádio Nacional tinha programação infantil variada ao longo de décadas
Era só o tempo de sair correndo da escola e ligar o rádio. As histórias do Tio Janjão já iam começar.

"Como estão os meus queridos sobrinhos? Bem de saúde? E de comportamento? Espero que muito bem, não é mesmo? Para os sobrinhos bem comportados, vou contar a história do gato Peixoto e do ratinho Tonico".
Os sobrinhos e as sobrinhas passaram a ser tantos que, em pouquíssimo tempo, uma das primeiras atrações pensadas para os ouvintes mirins ganhou mais um dia e foi para um horário de muito mais audiência: 17h30.
▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.
O comunicador e radioator Álvaro Aguiar era o nome por trás do Tio Janjão. Foi nessa época que um menino chamado Mário, um escolar, como se dizia naquele tempo, se encantou pela atração.
"As histórias do Tio Janjão me fizeram muito feliz na minha infância. E toda criançada ouvia e depois, na rua - porque se brincava na rua na época, se podia brincar na rua -, a gente comentava. Porque já dizia o slogan do programa: no tempo que os bichos falavam. Macaco que falava, ratinho, e por aí vai".
Nessa época, o pequeno Mário não fazia ideia de que, décadas mais tarde, viria a trabalhar na mesma emissora que o popular Tio Janjão, compondo o quadro dos grandes jornalistas esportivos da Nacional. Mário Silva fala sobre uma ajuda inusitada que o programa dava aos pais.
"O Janjão mandava recado para as crianças que escreviam, ou os pais que escreviam. 'Mário', por exemplo, 'você precisa estudar mais, Mário, você tem que comer menos. Mário, você precisa obedecer ao seu pai e à sua mãe. Você não pode brigar na escola', essas coisas. Mas pedagogia à parte, era muito divertido".
Programação infantil diversa
Mas a pedagogia não estava só nas histórias do Tio Janjão. Já estreadas em outras emissoras, algumas atrações com foco em conteúdos didáticos e ensino de valores, seguindo os padrões da época, migraram para a Nacional, como Ouvindo e Aprendendo e Biblioteca do Ar, assinados por Genolino Amado.
As crianças também passaram a embarcar no Tapete Mágico da Tia Lúcia, criado por Ilka Labarthe, que combinava contos infantis, músicas e mensagens educativas.
O programa Escolinha Mirim reunia ídolos já consagrados pelo público, como o palhaço Carequinha.
A gente miúda que ouvia a Nacional começou a acompanhar também, com afinco, as séries de aventura. Entre os sucessos estavam As Aventuras do Anjo, que bebia na fonte do faroeste norte-americano.
Mas era preciso criar um herói brasileiro. Fenômeno de audiência, Jerônimo, o Herói do Sertão foi pensado para o público infantojuvenil, mas era apreciado por todas as gerações. Era o preferido do menino Mário.
"Era realmente muito bom. 18h30, eu sentava na cama da minha mãe e do meu pai, porque o rádio só tinha um e estava no quarto, para ouvir. E discutia, brigava e pedia a minha mãe que eu pudesse jantar com o prato na mão. E era comentário, inclusive, entre os meninos da época. Eu era um deles".
Programas populares, como os de calouros, contavam também com audições voltadas para artistas infantis e juvenis.
Rádio Maluca
Décadas mais tarde, uma atração vai trazer de volta a tradição dos programas de auditório para as crianças: Zé Zuca e sua Rádio Maluca.
"Do auditório da Nacional ou de um buraco de rato, talvez, entrando pelo fio de um microfone, chegando de mansinho pelos fundos do seu rádio, está entrando no ar, pra confundir a sua cuca, a Rádio Maluca!".
Durante dez anos, o arte-educador, cantor e radialista Zé Zuca, com inúmeros parceiros, apresentou a Rádio Maluca no auditório da Nacional, ao vivo. Com contação de histórias e brincadeiras, a atração também promovia os artistas da música e da literatura feitas para crianças. Um espaço até então praticamente inexistente no rádio.
Créditos:
Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães. A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.