TDAH: compreensão ajuda a reduzir estigmas e melhorar vidas
Celebrado em 13 de julho, o Dia Mundial do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) destaca a importância de ampliar o conhecimento sobre essa condição que afeta crianças, adolescentes e adultos.

O TDAH não é apenas um “déficit de atenção”, como o nome sugere. A médica Raquel Del Monde, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência, explica que o transtorno envolve dificuldade na modulação da atenção, com um cérebro mais “caótico”, que processa muitos estímulos ao mesmo tempo e de forma diferenciada, causando problemas na organização mental, na execução de tarefas, na hiperatividade e na impulsividade.
De acordo com a médica, o TDAH pode se manifestar de maneiras diferentes em homens e mulheres.
“Os meninos tendem a apresentar mais sintomas de hiperatividade e impulsividade, enquanto as meninas geralmente têm um perfil mais desatento, com a cabeça nas nuvens”, conta.
Apesar do diagnóstico ser mais comum na infância, a especialista lembra que a investigação também pode ser feita na vida adulta.
“O diagnóstico não é ponto de chegada, mas ponto de partida para que a pessoa possa compreender suas dificuldades e buscar ajuda para melhorar sua qualidade de vida”, afirma.
Falar sobre o TDAH ajuda a combater o preconceito e o estigma social que ainda cercam as condições de saúde mental.
“Quando a gente conversa sobre isso, reduzimos o estigma estrutural e ajudamos a derrubar preconceitos”, reforça Raquel.
O episódio completo com a médica está disponível no VideBula, podcast que vai ao ar todas as terças-feiras, no site da Radioagência Nacional e nas principais plataformas de áudio.
Quer saber mais, tirar dúvidas ou sugerir temas os próximos episódios? Entre em contato pelo email videbula@ebc.com.br ou deixe seu comentário no canal do VideBula no Spotify.
Você pode conferir, no menu abaixo, a transcrição do episódio, a tradução em Libras e ouvir o podcast no Spotify, além de checar toda a equipe que fez esse conteúdo chegar até você.
VideBula - Episódio 14: Compreendendo o TDAH
🎵 [VINHETA DE ABERTURA] 🎵
Pati: Oi, pessoal! Eu sou Patrícia Serrão.
Raíssa: E eu sou a Raíssa Saraiva.
Pati: E esse é o VideBula, o podcast sobre saúde, bem-estar e acesso a direitos.
Raíssa: No episódio de hoje, vamos falar sobre um outro diagnóstico que está sendo bastante discutido ultimamente: o TDAH.
Pati: Para nos ajudar a entender melhor, conversamos novamente com Raquel Del Monde, médica formada na USP de Ribeirão Preto, com treinamento em Psiquiatria na Infância e Adolescência, e que depois de ter seu primeiro filho diagnosticado com autismo aos oito anos, ela direcionou seus estudos e atuação para o universo do neurodesenvolvimento.
🎵 [SOM DE TRANSIÇÃO – efeito sonoro suave] 🎵
Raíssa: Raquel, para começar, você pode explicar pra gente, numa linguagem simples, o que é o TDAH?
Raquel: Bom, acho que eu vou começar falando que o TDAH tem o pior nome da história da medicina, né? Porque é Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. E o que a gente não tem é déficit de atenção. A gente tem, na verdade, uma dificuldade de modulação da atenção, e isso confundiu muita gente assim nas últimas décadas, né? Porque eles acham que quem tem TDAH, por exemplo, não conseguiria assistir a um filme inteiro, não conseguiria jogar um videogame, jogar xadrez e isso não acontece. Mas a pessoa com TDAH também tem uma configuração cerebral diferente, da mesma forma que o autista, só que é mais focado realmente na nossa habilidade de inibir alguns estímulos que o cérebro recebe. Então, o cérebro do TDAH é mais caótico, tem dificuldade em inibir estímulos, quer processar tudo ao mesmo tempo, e por isso que a gente vê essa dificuldade às vezes na atenção, na organização mental, na execução de tarefas. A hiperatividade e a impulsividade vêm disso também, dessa dificuldade de inibir estímulos.
Pati: E, assim como o autismo, também existem diferenças nas manifestações do TDAH em homens e mulheres?
Raquel: Existe. A gente fala de alguns subtipos do TDAH. Então, por exemplo, tem o tipo predominantemente hiperativo e impulsivo, o tipo predominantemente desatento, que seria mais desligado em relação aos estímulos do ambiente, e um tipo misto. Os meninos acabam indo mais para esse lado hiperativo e as meninas vão mais para esse lado desligado ou desatento, aquele que a gente fala assim "com a cabeça nas nuvens".
Raíssa: Ah, interessante. E no TDAH, a gente costuma ver muito os diagnósticos na infância. Mas e depois de adulto? Se a pessoa tem dúvida, vale a pena investigar?
Raquel: Ah, com certeza. Essa é uma questão que muita gente traz, porque até às vezes os profissionais da área de saúde mental, psicólogos, psiquiatras, têm essa fala: "Mas se você chegou até aqui, na vida adulta, pra que você vai mexer nisso, pra que você quer um diagnóstico?". Só que, como a gente fala sempre, diagnóstico não é ponto de chegada, é ponto de partida. Então, é a partir de um diagnóstico que a pessoa pode se entender, que a pessoa pode entender uma série de vivências que teve na vida, e isso vai fazer com que ela possa trabalhar melhor com as dificuldades, procurar uma ajuda que seja mais adequada. Então, com certeza vale a pena, porque é a pessoa investir na melhor qualidade de vida.
Pati: Porque, na verdade, sempre é tempo de a gente melhorar, né? De conviver melhor com as nossas condições.
Raquel: Com certeza, o resto da vida.
Raíssa: Aqui no nosso podcast, a gente tem esse pensamento de que diagnóstico é vida. Quanto mais informação a gente tiver e espalhar para as pessoas, melhoramos a vida de muita gente que talvez nem tenha ideia de que pode estar passando por uma situação semelhante.
Raquel: Isso é muito importante, porque quando a gente fala, a gente reduz o estigma também. Então reduz esse preconceito estrutural que a gente tem, com pessoas com deficiência e pessoas com alguma condição de saúde mental. Então quando a gente fala nisso, a gente ajuda a derrubar esse estigma na sociedade.
🎵 [VINHETA DE TRANSIÇÃO – música animada] 🎵
Raíssa: Muito obrigada por mais uma participação aqui no VideBula, Raquel!
Pati: Quem quiser sugerir uma pauta, tirar dúvidas, mandar elogios ou críticas pode escrever para videbula@ebc.com.br! Queremos saber a opinião de vocês sobre o programa, podem mandar!
Raíssa: O VideBula é uma produção original da Radioagência Nacional, um serviço público de mídia da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação.
Pati: O podcast é idealizado e apresentado por mim, Patrícia Serrão, e por Raíssa Saraiva.
Raíssa: A edição é de Bia Arcoverde. Na operação em Brasília Lúcia Safatle, e no áudio e sonoplastia no Rio, Toni Godoy.
Pati: Você pode ouvir outros podcasts e séries da Radioagência Nacional no nosso site, nos tocadores de áudio e com interpretação em Libras no nosso Youtube.
Raíssa: E se você gostou do VideBula, mande para os amigos, publique nas suas redes e ajude para que a informação chegue a mais pessoas. E dá umas estrelinhas no seu tocador de áudio.
Pati: Para mais informações, VideBula! Até o próximo episódio!
🎵 [VINHETA DE ENCERRAMENTO] 🎵
| Roteiro, entrevistas e apresentação | Patrícia Serrão e Raissa Saraiva |
| Coordenação de processos e supervisão | Beatriz Arcoverde |
| Identidade visual e design: | Caroline Ramos |
| Interpretação em Libras: | Equipe EBC |
| Implementação na Web: | Beatriz Arcoverde e Lincoln Araújo |
| Operação de Áudio e sonoplastia no RJ | Toni Godoy |
| Operação de Áudio em Brasília | Lúcia Safatle |