Mudanças climáticas podem agravar o risco de morte entre crianças
As mudanças climáticas podem agravar, significativamente, o risco de morte entre crianças. A conclusão é de um estudo inédito conduzido pela Fiocruz em parceria com instituições internacionais. Os pesquisadores analisaram dados de mortalidade infantil de todos os 5.570 municípios brasileiros e cruzaram com informações diárias de temperatura entre 2000 e 2019.

A análise abrangeu mais de 1 milhão de mortes de menores de cinco anos. Os resultados apontaram que bebês de 7 a 27 dias são os mais afetados pelo frio, enquanto crianças entre um e quatro anos de idade são mais afetadas pelo calor.
O estudo identificou ainda que tanto o frio quanto o calor estavam associados à maior mortalidade por todas as doenças infecciosas, e especialmente por diarreia, enquanto a mortalidade por doenças respiratórias estava associada apenas ao calor.
Embora o estudo seja nacional, os resultados mostram grandes desigualdades regionais. De acordo com a pesquisa, a região Sul apresentou um maior risco de mortalidade associado ao frio e a região Nordeste um maior risco associado ao calor. A mortalidade de crianças menores de cinco anos relacionada ao frio atingiu o maior aumento (117%) no Sul, já a mortalidade relacionada ao calor foi maior no Nordeste (102%).
De acordo com os pesquisadores, o aumento das temperaturas representa uma ameaça adicional a fatores de risco já conhecidos como vulnerabilidade socioeconômica e falta de infraestrutura básica, como saneamento e moradia adequada. Por isso, aponta o estudo, investir em monitoramento climático e epidemiológico é fundamental para proteger a saúde das próximas gerações.