Registros de violência contra a mulher cresceram 6,9% em agosto no RJ

Publicado em quarta-feira, 16 Setembro, 2020 - 19:05 Por Tâmara Freire - Rio de Janeiro

O número de casos registrados sob a Lei Maria da Penha no Rio de Janeiro aumentou 6,9 por cento em agosto deste ano, na comparação com julho. Nos crimes de ameaça, o aumento foi de 13,4 por cento, e os registros de lesão corporal dolosa subiram 3,4 por cento. Mas com relação a agosto do ano passado, os casos de violência doméstica tiveram uma queda de 4,2 por cento.

De acordo com o Instituto de Segurança Pública, essa redução também é observada em diversos indicadores de criminalidade, e pode estar relacionada às medidas de isolamento social. A coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública, Flávia Nascimento, reforça que isso não é um indicativo de que a violência diminuiu.

Um indício que corrobora essa análise é o aumento constante dos pedidos de socorro ao serviço 190 da Polícia Militar, por casos de violência doméstica. De março a agosto, o aumento foi de 12 por cento, com relação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, desde maio o número de mulheres vítimas de crimes com viés de gênero vem se acentuando, e a cada mês se aproximam mais dos patamares de 2019. De 13 de março a 31 de maio, a redução dos casos tipificados pela Lei Maria da Penha registrados em delegacias foi de 47,6 por cento, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Mas de 13 de março até 31 de agosto, essa redução cai para 30 por cento, o que mostra a tendência de aumento nos registros. A defensora lembra que não só o isolamento pode ter intimidado essas mulheres, mas também outras dificuldades relacionadas à pandemia.

Mas quando se trata do crime de estupro, com mulheres vítimas, já foram registradas altas em duas comparações: de 24,8 por cento com relação a julho, e de 6,5 por cento frente a agosto do ano passado. Além disso, no último mês, foram registradas três vítimas de feminicídio e 17 vítimas de tentativa de feminicídio. A defensora pontua que seriam necessários dados adicionais como os horários e locais de maior ocorrência para uma análise mais acurada. Ela acredita que a volta do deslocamento das trabalhadoras por cidades mais vazias possa ter contribuído, além da maior liberdade para denunciar crimes presencialmente nas delegacias.

Edição: Ana Pimenta

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