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Saúde

Ração contaminada mata 245 equinos em quatro estados

Agricultura aponta falha no controle de matéria-prima
Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 14/07/2025 - 12:10
Brasília
Canoas (RS), 21/05/2024 – CHUVAS/ RS - ANIMAIS - Cerca de 70 cavalos retirados das enchentes foram enviados para ULBRA, em Canoas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ao menos 245 cavalos morreram após terem consumido rações equinas contaminadas da empresa Nutratta Nutrição Animal. Os casos foram registrados em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), está sendo apurada falha no controle de matérias-primas utilizadas pela empresa.

“Em todas as propriedades investigadas os equinos que adoeceram ou vieram a óbito consumiram produtos da empresa. Já os animais que não ingeriram as rações permaneceram saudáveis, mesmo quando alojados nos mesmos ambientes”, informou o Mapa, referindo-se às amostras analisadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA).

As análises constataram presença de alcalóides pirrolizidínicos, substâncias tóxicas chamadas de monocrotalina que são, segundo o ministério, incompatíveis com a segurança alimentar animal. A geração da monocrotalina tem, segundo o Mapa, origem em resíduos de plantas do gênero crotalaria, encontrados no alimento destinado aos animais.

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Problemas

Em nota, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, disse que, mesmo em doses muito pequenas, essa substância pode causar problemas neurológicos e hepáticos graves. Por isso, acrescenta, “a legislação é clara: ela [a substância encontrada] não pode estar presente em nenhuma hipótese” nas rações.

Diante da situação, foi instaurado pelo ministério processo administrativo fiscalizatório, lavrado um auto de infração e determinada a suspensão cautelar da fabricação e da comercialização de rações destinadas a equídeos da Nutratta Nutrição Animal. 

Posteriormente, a medida foi estendida a rações voltadas a todas as espécies de animais.

“Mesmo com a interdição determinada pelo ministério, a empresa [Nutratta Nutrição Animal] obteve na Justiça autorização para retomar parte da produção não destinadas a equídeos. O Mapa já recorreu da decisão, apresentando novas evidências técnicas que reforçam o risco sanitário representado pelos produtos e a necessidade de manutenção das medidas preventivas adotadas”, esclarece o Mapa.

Ainda de acordo com o ministério, estão sendo feitos acompanhamentos de forma a garantir o recolhimento do lote contaminado.

Em resposta encaminhada à Agência Brasil, a Nutratta Nutrição Animal lamentou as mortes "supostamente associadas ao produto" e reforçou que tem trabalhado com o Mapa, fornecendo as informações e documentos solicitados.

A empresa explicou ainda que informações preliminares indicam a presença de uma substância chamada monocrotalina. Trata-se de uma leguminosa muito utilizada em adubação verde e que pode estar presente em matérias-primas de origem vegetal utilizadas em diversas cadeias agroindustriais.

"Diante da situação, a empresa adotou medidas preventivas e corretivas imediatas, incluindo o reforço nos controles laboratoriais, revisão dos critérios de qualificação de fornecedores, rastreabilidade de matérias-primas vegetais, além da reestruturação dos protocolos sanitários e do layout fabril", acrescentou a Nutratta. A empresa disponibilizou um canal de comunicação via whatsapp para relatos e esclarecimentos.

Matéria atualizada em 23/07, às 12h10, para incluir o posicionamento da Nutratta Nutrição Animal.