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São Paulo e Rio de Janeiro recebem festival de cinema É Tudo Verdade

  • 27/03/2016 16h20publicação
  • São Paulolocalização
Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil

Entre os dias 7 e 17 de abril as telas de cinema de São Paulo e Rio de janeiro exibirão 85 títulos de documentários de 26 países selecionados para o É tudo verdade – 21º Festival Internacional de Documentários. Nesta edição, serão 22 estreias mundiais, uma mostra especial sobre as Olimpíadas, uma retrospectiva da obra de Carlos Nader, e sessões especiais homenageando os cineastas Chantal Akrman, Ruy Guerra, Claude Lanzmann e Haskell Wexler. Todas as sessões são gratuitas.

Entre a programação estão sete produções nacionais inéditas no país, selecionadas para a Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens, e nove para a Competição de Curta-Metragens. Participam da Competição Internacional de Longas e Médias-Metragens 12 documentários inéditos no Brasil e nove da Competição Internacional de Curta-Metragens. Além disso haverá programas especiais e as sessões informativas Projeções Especiais, O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano.

Na abertura serão exibidas a première latino-americana de Fogo no Mar (Fuocoammare), de Gianfranco Rosi, com foco na crise dos refugiados na Europa a partir de Lampedusa, na Sicília (Itália), e a estreia mundial de As Incríveis artimanhas da Nuvem Cigana, de Paola Vieira e Claudio Lobato, que conta a história do coletivo artístico Nuvem Cigana, formado no Rio de Janeiro nos anos de 1970.

Fogo no Mar trata com incrível delicadeza e notável talento narrativo a crise humanitária dos refugiados na Europa. O filme vai na raiz do problema e do ser humano que precisa buscar refúgio e na Europa que precisa se adaptar e reagir a essa situação humanitária tão frágil e tão radical. A urgência é uma marca do documentário e uma característica particular do gênero”, disse o fundador e diretor do Festival, Amir Labaki.

Estreias

O diretor destacou que apesar de o ano ser considerado complicado o festival terá maior número de estreias, assim como teve recorde de inscrições: “É impressionante ver como se produz no Brasil, apesar da crise. É um talento incrível e o documentário me parece uma das formas primeira de expressão contemporânea no Brasil e no mundo. Foi uma seleção muito rigorosa e muito difícil”.

Para destacar o fato de o Brasil receber pela primeira vez os Jogos Olímpicos, o festival incluiu a mostra especial sobre as Olimpíadas, colocando em exibição filmes atuais sobre o tema. “Em vez de trazer os grandes clássicos, que inclusive passam na televisão, achamos melhor tentar ver um olhar do presente sobre isso. Nós selecionamos cinco filmes, dos quais dois são estreias mundiais e falam sobre os jogos e como o cinema retratou as Olimpíadas em todo o período”.

Labaki ressaltou ainda que o festival mostra, inevitavelmente, o que vem acontecendo no mundo, já que o documentário é a forma mais pura de retratar as crises contemporâneas. “O festival é um espelho do que a produção documental do mundo e do Brasil está vendo e o que os realizadores estão querendo. Então não é uma surpresa que, com um mundo tão conturbado, tenhamos uma seleção de filmes em que isso está tão presente”.

Mostra competitiva

Os filmes selecionados para a competição brasileira de longas ou médias metragens são: Cacaso da corda bamba (José Joaquim Sales, Rio de Janeiro); Cícero Dias, o compadre de Picasso (Vladimir Carvalho, Distrito Federal); Galeria F (Emília Silveira, Rio de Janeiro); Imagens do Estado Novo 1937-45 (Eduardo Escorel, Rio de Janeiro/São Paulo); Jonas e o Circo sem Lona (Paula Gomes, Bahia); Manter a Linha da Cordilheira sem o Desmaio da Planície (Walter Carvalho, Rio de Janeiro); O Futebol (Sérgio Oksman, São Paulo/Espanha).

Na competição internacional de longas ou médias-metragens concorrem; 327 cadernos (Andrés Di Tella, Argentina, Chile); Anos Claros (Frédéric Guillaume, Bélgica); Catástrofe (Alina Rudniyskaya, Rússia); Chicago Boys (Carola Fuentes, Rafael Valdeavellano, Chile); Gigante (Zhao Liang, França); Kate Interpreta Christine (Robert Greene, EUA); No Limbo (Antoine Viviani, França); Nuts! (Penny Lane, EUA); Paciente (Jorge Caballero Ramos, Colômbia); Sob o Sol (Vitaly Mansky, Rússia); Tudo Começou pelo Fim (Luis Ospina, Colômbia); Um Caso de família (Tom Fassaert, Holanda).

A competição brasileira de curta-metragens traz os títulos A Culpa é da Foto (Eraldo Peres, André Dusek, Joédson Alves, Distrito Federal); Abissal (Arthur Leite, Ceará); Aqueles Anos em Dezembro (Felipe Arrojo Poroger, São Paulo); Buscando Helena (Roberto Berliner, Ana Amélia Macedo, Rio de Janeiro); Fora de Quadro (Txai Ferraz, Pernambuco); O Oco da Fala (Miriam Chnaiderman, São Paulo); Praça de Guerra (Edi Júnior, Paraíba); Sem Título #3: e para poetas em tempo de pobreza? (Carlos Adriano, São Paulo); Vida como Rizoma (Lizi Kieling, Rio Grande do Sul).

Na competição internacional de curtas participam A Glória de Fazer Cinema em Portugal (Manuel Mozos, Portugal); A Visita (Pippo Delbono, França); Caracóis (Grzegorz Szczepaniak, Polônia); Carmen (Mariano Samengo, Argentina); Cosmopolitanismo (Erik Gandini, Suécia); Eu Tenho uma Arma (Ahmad Shawar, Palestina); Fátima (Nina Khada, Alemanha); Munique 72 e além (Stephen Crisman, EUA); O Atirador de Elite de Kobani (Reber Dosky, Holanda).

Mais informações, no site do festival na internet
 

Edição: Denise Griesinger