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Manifestações em Portugal marcam repúdio à cultura do estupro

  • 02/06/2016 14h32publicação
  • Lisboalocalização
Marieta Cazarré – Correspondente da Agência Brasil
Manifestação contra machismo e cultura do estupro em Lisboa

Manifestação contra machismo e cultura do estupro em LisboaIgor D'Angelis/Arquivo pessoal

“O grito da gente é por igualdade”, afirmou a brasileira Maria Rita Nunes, de 30 anos, estudante de doutorado, que mora há dois anos em Lisboa, e participou ontem (1º) de uma  manifestação contra o machismo e a cultura do estupro, na capital portuguesa. Manifestações semelhantes, convocadas pelas redes sociais, ocorreram também nas cidades de Coimbra e Porto. Centenas de pessoas se reuniram para protestar, com cartazes e as mãos pintadas de tinta vermelha, em apoio à jovem brasileira vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro, na semana passada.

Cartazes foram afixados em prédios durante manifestações contra cultura do estupro em Lisboa

Cartazes foram afixados em prédios durante manifestações contra cultura do estupro durante o protesto Igor D'Angelis/Arquivo pessoal

“Aqui em Portugal, a manifestação foi espontânea. O megafone estava aberto e as pessoas iam e contavam as suas histórias. Houve, inclusive, relatos de mulheres que foram abusadas por parentes. O intuito maior é o da união das mulheres e de dar força umas para as outras em relação ao machismo e a essas discriminações”, disse Maria Rita à Agência Brasil.

Em Lisboa, o protesto reuniu cerca de 300 pessoas na Praça da Figueira, centro da capital. “Santa ou vadia - não te devo nada”, “Mexeu com uma mexeu com todas”, “Chega da cultura do estupro” e “Saias não violam, violadores sim”, diziam alguns dos cartazes afixados na praça.

“É preciso eliminar a cultura do machismo e do estupro. Não devemos ensinar as mulheres a terem medo de sair de casa, nem ensiná-las o que devem fazer ou como se comportar, pois essa cultura não é ensinada aos homens. É uma cultura patriarcal de que a mulher tem que controlar tanto o seu desejo quanto o do outro”, afirmou Maria Rita.

As manifestações foram convocadas nas redes sociais para as 17h, horário local, e terminaram, em Lisboa, por volta das 20h. Participaram integrantes de movimentos sociais portugueses e brasileiros, além de pessoas que souberam do protesto e se juntaram ao grupo.

Maria Rita, que faz parte do Coletivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de Lisboa, movimento surgido no início do ano para protestar contra o impeachment, disse que, durante o ato, houve declarações de apoio à presidenta Dilma Rousseff. “Há a questão da discriminação que a Dilma está sofrendo em relação a ser mulher e a associação de que o governo foi mal por ela ser mulher. Dizer que uma mulher não sabe governar é também uma forma de discriminação”.

aManifestações contra cultura do estupro em Lisboa

Na cidade do Porto, o protesto foi organizado pelo Colectivo Feminista Igor D'Angelis/Arquivo pessoal

Na cidade do Porto, o protesto foi organizado pelo Colectivo Feminista do Porto e os manifestantes se deitaram no chão, em silêncio, como forma de protestar contra o silenciamento das vítimas de violência de gênero. Os atos no Porto aconteceram na Avenida dos Aliados, e em Coimbra, na Praça 8 de Maio.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em outubro de 2015, a cada 11 minutos uma mulher é violentada no Brasil. A brutalidade do estupro sofrido pela jovem brasileira, exposta com a divulgação de um vídeo por um dos acusados, causou revolta ao redor do mundo. O caso foi amplamente noticiado em Portugal e comparado ao estupro coletivo de uma jovem na Índia, em 2012.

De acordo com o Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA), em 2015, 27 mulheres foram assassinadas em Portugal, a maioria com armas brancas e de fogo utilizadas pelos maridos ou companheiros.

Edição: Maria Claudia