Manifestantes protestam contra violência sofrida por crianças nas ruas de SP


Garoto usa megaforne em protesto contra violência que atinge crianças em São Paulo
Um protesto lembrou hoje (3) as mortes de crianças e adolescentes em situação de rua no centro da capital paulista. Segundo entidades e organizações não governamentais que trabalham com esses jovens, foram pelo menos sete casos no último ano. Uma homenagem especial foi feita a João Victor, um adolescente de 13 anos, que morreu após ser espancado em frente ao Fórum João Mendes, na Praça da Sé, no dia 13 de março. A manifestação envolveu 20 organizações, além de jovens da região central.
“A gente resolveu homenagear e fazer um espaço para que eles possam relembrar essas mortes, fazer um luto. E também a vida dos que estão aqui até hoje”, disse o educador do Projeto Travessia Marcus Vinícius Alves, sobre o ato que começou no Vale do Anhangabaú. No local, foram montados cartazes com os nomes das vítimas da violência e mensagens dos jovens que vivem na região do centro paulistano.
Sobre João Victor, um dos participantes escreveu: “Mais um parceiro guardado no céu”. Outro jovem fez uma cobrança: “Quero justiça para todos os meus amigos que morreram”, dizia a mensagem. Os manifestantes saíram em passeata até a porta do Fórum João Mendes, onde o adolescente foi assassinado em março.
Além dos homicídios e brigas, Vinícius Alves disse que muitos dos jovens acabam morrendo em incidentes e por abuso de drogas. “Na nossa visão, até o uso abusivo de drogas, porque eles estão na rua e não têm muito atendimento, também é uma violência”, destacou o educador. “São várias violências, principalmente do Estado, que dá uma invisibilidade para a vida deles.”
Na opinião de Alves, as políticas públicas para combater o problema devem ter abrangência inclusive fora do centro. Apesar da região concentrar a maior parte da população de rua da capital paulista, muitas crianças e adolescentes têm família nos pontos extremos da cidade. “A gente também briga para que as comunidades e periferias sejam mais bem vistas pelo governo. Que eles não tenham que vir para o centro buscar espaço de lazer e outras coisas.”

Jovens mostram estrelas com nomes de amigos mortos nas ruas da capital paulista
Esse é o caso de Raquel, de 15 anos, que tem família na Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital. Em uma estrela, ela escreveu o nome de cinco pessoas que considerava importantes e que perderam a vida de forma violenta. Uma delas era o irmão, morto pela polícia há poucas semanas. “Ele levou seis tiros”, contou a jovem.
No entanto, o maior medo de Raquel, que vive sob um viaduto, é dos skinheads (cabeças rapadas), como são conhecidos alguns grupos de neonazistas. A adolescente disse que outro irmão, que vive com ela, foi atacado recentemente por um desses bandos. “Os skinheads quebraram o braço dele. Eles andam em gangues, em lugares que não anda ninguém.”

