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Brasil pode não atingir objetivos sustentáveis da ONU, dizem organizações

  • 07/07/2017 21h58publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Richarlls Martins, Vitor Michessn e Francisco Menezes apresentam o Relatório Luz da Sociedade Civil sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, na Casa Fluminense (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Richarlls Martins, Vitor Michessn e Francisco Menezes apresentam o Relatório Luz da Sociedade Civil sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, na Casa Fluminense Fernando Frazão/Agência Brasil

Se forem mantidas as atuais tendências em relação à evolução dos indicadores sociais, o Brasil poderá não atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o ano de 2030. O alerta é de integrantes da sociedade civil, que elaboraram um relatório sobre a situação do país que aponta poucos avanços e até mesmo retrocessos em áreas como redução da pobreza e garantia da saúde.

Uma versão reduzida do relatório "Luz da Sociedade Civil sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável" foi apresentada nesta sexta-feira (7), no Rio de Janeiro. Na próxima semana, haverá uma reunião na ONU, em Nova York, em que a organização irá avaliar o desenvolvimento de cada país.

“Estamos muito preocupados porque entre os objetivos fixados, como a questão da pobreza e da fome, estamos percebendo um princípio de retrocesso. Eles têm relação com a situação econômica e social do país. Os dados mostram até 2014 um caminho exitôso, mas inicia-se a crise e as curvas, que eram ascendentes, começam a cair”, disse o pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Francisco Menezes, também integrante do Action Aid Brasil, uma federação internacional de entidades sociais.

Francisco chamou a atenção para as mudanças no índice de Gini, indicador que retrata o nível de desigualdade em uma sociedade. “A curva de Gini até 2014 vinha em um processo mostrando redução da desigualdade. Em 2015 ele para e, em 2016, começa a crescer, mostrando que aumenta a desigualdade no país”, alertou o pesquisador do Ibase. Segundo ele, em 2014 o índice de Gini era 0,491 e subiu para 0,523 em 2016. Quanto mais próximo de zero, mais igualitário é o país.

Para outro integrante do grupo de trabalho da sociedade civil, Richarlls Martins, a preocupação é a diferença metodológica entre os dados apresentados pelo governo brasileiro e os apurados pelos grupos independentes. “O que se pode perceber é que o relatório oficial, que será apresentado em Nova York na próxima semana, carece de dados e fontes fidedignas em comparação ao relatório que está sendo apresentado pelo conjunto amplo da sociedade civil. São visões extremamente diferentes”, disse Richarlls, que é membro da Rede Brasileira de População e Desenvolvimento.

Nesta sexta-feira, em Brasília, o coordenador-residente da ONU no Brasil, Niky Fabiancic, e o ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Antônio Imbassahy, assinaram um memorando de entendimento entre as Nações Unidas e o Brasil, para a cooperação em iniciativas que apoiem o ODS. O documento apresentado pela sociedade civil pode ser acessado na página da internet do grupo de trabalho.

Edição: Amanda Cieglinski