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Caminhoneiros vão à Câmara pedir frete mínimo e mantêm bloqueios nas estradas

  • 24/02/2015 14h10publicação
  • Brasílialocalização
Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil
BR-060, que liga Brasília a Goiânia

Trânsito na BR-060Valter Campanato/Agência Brasil

Representantes do movimento de caminhoneiros que há vários dias bloqueia as rodovias de pelo menos seis estados reúnem-se hoje (24) com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e com integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para pedir a criação de um valor de frete mínimo para a categoria.

A criação do frete mínimo é uma das principais reivindicações dos caminhoneiros, que iniciaram os protestos devido à alta do preço dos combustíveis e aos valores dos fretes, considerados baixos pela categoria. “Hoje, a nossa margem de lucro é zero: ou sustentamos a família ou sustentamos o caminhão na estrada - é preciso escolher. Nós viemos tentar uma negociação com o governo para que ele assuma um compromisso efetivo e oficial para que possamos iniciar as tratativas da criação do frete mínimo”, disse Ivar Luiz Schmidt, um dos representantes do movimento.

Segundo Schmidt, os caminhoneiros defendem como solução ideal a suspensão no aumento do óleo diesel por pelo menos 60 dias, até a apresentação de uma proposta de criação do frete mínimo. “Ao longo desses dez anos, cada aumento de preço do óleo representou redução na nossa margem liquida. Não tem mais para onde ir, temos que negociar”, disse ele.

“A partir do momento em que se chegou ao fundo do poço, e não se tem mais para onde cavar, não tem mais para onde ir. Ou se resolve a situação, ou mantemos a paralisação, e podemos sinalizar até um aumento para outros estados”, disse Schmidt, que espera uma sinalização do secretário-geral da Presidência da República, ministro Miguel Rossetto, para tratar da questão e buscar a um acordo para encerrar os protestos.

De acordo com o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), integrante da FPA, a reunião com os parlamentares se justifica pelo fato de o agronegócio ser um dos setores mais afetados pela paralisação. “É um movimento significativo, crescente. Nosso papel é abrir essa agenda para encontrar medidas que possam ser aceitas pelo segmento e pelo governo”, explicou Goergen, que criticou ainda a decisão da Advocacia-Geral da União (AGU) de entrar na Justiça Federal com um pedido de liberação das rodovias bloqueadas. “Não é esse o caminho”, afirmou o deputado.

Conforme o último balanço da Polícia Rodoviária Federal, divulgado ontem (23) à noite, motoristas enfrentam dificuldades para atravessar 64 pontos de 23 rodovias federais em seis estados.Os estados mais prejudicados são o Rio Grande do Sul, com 23 pontos interditados, Santa Catarina, com 15 trechos bloqueados, e o Paraná, com dez bloqueios. As rodovias de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais também têm pontos bloqueados.

Edição: Jorge Wamburg