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BC: cenário de convergência da inflação para 4,5% em 2016 tem se fortalecido

  • 06/08/2015 09h08publicação
  • Brasílialocalização
Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% ao final de 2016 tem se fortalecido. A informação consta da ata da última reunião do Copom, divulgada hoje (6).

O Banco Central tem prometido que, no ano que vem, a inflação ficará dentro da meta, mas para este ano a expectativa é que a meta seja ultrapassada. A projeção do BC para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano é 9%. A meta de inflação é 4,5%, com limite superior de 6,5%. O comitê explicou que este ano a inflação está elevada devido ao realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e dos administrados em relação aos livres.

“Esses ajustes de preços fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015, necessitando determinação e perseverança para impedir sua transmissão para prazos mais longos”, reforçou o BC.

Na avaliação do comitê, a estratégia de elevação dos juros fará com que a inflação volte para a meta no próximo ano.

“Os avanços alcançados no combate à inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas de médio e longo prazo – mostram que a estratégia de política monetária está na direção correta”, avaliou o Banco Central, na ata do Copom.

Para o comitê, os riscos remanescentes para que as projeções de inflação do Copom atinjam com segurança o objetivo de 4,5% no final de 2016 são condizentes ao efeito defasado e cumulativo das últimas elevações da taxa básica de juros, a Selic. Mas o comitê ressalta que precisa se manter “vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta”.

No último dia 29, o Copom elevou a taxa Selic pela sétima vez seguida. O Copom aumentou a taxa em 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Com o reajuste, a Selic retornou ao nível de outubro de 2006.

A taxa é o principal instrumento do BC para manter sob controle a inflação. Ela é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o BC combate o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas alivia o controle da inflação.

Embora ajude no controle dos preços, o aumento da taxa Selic prejudica a economia, que atravessa um ano de recessão, com queda na produção e no consumo.

Segundo o comitê, o ritmo de expansão da atividade doméstica, neste ano, é inferior ao potencial. “Em particular, o investimento tem-se retraído, influenciado, principalmente, pela ocorrência de eventos não econômicos [como casos de corrupção investigados pela Polícia Federal], e o consumo privado mostra sinais de maior moderação em linha com recentes dados de crédito, emprego e renda”, acrescentou o Copom. Entretanto, para o comitê, “depois de um período necessário de ajustes, o ritmo de atividade tende a se intensificar, na medida em que a confiança de firmas e famílias se fortaleça”.

Expectativas

A redução da meta de superavit primário, economia para pagamento de juros da dívida pública, afetou as expectativas para a inflação, na avaliação do Copom.

No último dia 22, o governo anunciou que a queda na arrecadação federal provocada pela retração na economia levou a equipe econômica a diminuir para R$ 8,747 bilhões – 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) – a meta de superavit primário do setor público para este ano. Anteriormente, a meta de esforço fiscal para União, estados, municípios e estatais correspondia a R$ 66,3 bilhões (1,1% do PIB).

“Alterações significativas na trajetória de geração de superavit primários impactam as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação e podem contribuir para criar uma percepção menos positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo”, diz o comitê, na ata da última reunião, divulgada hoje (6).

O Copom diz ainda que contas públicas sustentáveis contribuem para “diminuir o custo de financiamento da dívida pública, com repercussões favoráveis sobre o custo de capital de modo geral e, em última instância, estimula o investimento privado no médio e no longo prazo”.

“Especificamente sobre o combate à inflação, o comitê destaca que a literatura e as melhores práticas internacionais recomendam um desenho de política fiscal consistente e sustentável, de modo a permitir que as ações de política monetária [elevações da taxa Selic] sejam plenamente transmitidas aos preços”, acrescentou o BC.

Edição: Denise Griesinger