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Petrobras pode reduzir custos e operar com petróleo a US$ 30, diz conselheiro

  • 29/01/2016 17h25publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Nielmar de Oliveira - Repórter da Agência Brasil

O representante do governo federal no Conselho de Administração da Petrobras e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Segen Estefen disse hoje (29) que a estatal tem que “arregaçar as mangas” e “sair da letargia” para trabalhar dentro da realidade atual do mercado internacional de petróleo, com o barril em torno de US$ 30.

Durante seminário sobre o impacto da cotação do petróleo na Petrobras, realizado pelo Instituto Alberto Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), Estefen destacou que a estatal tem estoque de campos de petróleo em atividade cujos investimentos já foram amortizados e que por isso mesmo permitem que a companhia “suporte por mais dois a três anos as atividades exploratórias” com o preço do barril no patamar atual.

Plataforma de petróleo

Conselheiro da Petrobras diz que estatal tem que investir em ciência e tecnologia para baixar custos de produçãoArquivo/Agência Brasil

“É possível dar continuidade a essa produção ao custo da extração em torno de US$ 25 o barril. O problema é quando acabar este estoque e você tiver que investir novamente. Aí você terá que adequar os custos de extração aos do preço do barril do petróleo no mercado externo no momento da maturação desses investimentos”, explicou.

“E a Petrobras é uma empresa extremamente competente e já tem gente pensando nisso. Ela tem hoje uma carteira exploratória já em curso que ainda a mantém competitiva em termos de rentabilidade por um prazo de três a quatro anos. Temos que trabalhar para que daqui há quatro ou cinco anos consigamos encontrar formas tecnologicamente inovadoras que coloquem os custos de extração dentro de padrões que a mantenham rentável”, acrescentou.

Resposta à crise
Na avaliação do professor da UFRJ, a crise econômica e política em curso tem deixado não só a Petrobras, mas o país “em certa letargia”, que precisa ser superada. “No caso do petróleo, é preciso arregaçar as mangas e trabalhar dentro da realidade de hoje, que é uma realidade de crise e preços baixos das commodities.”

Estefen disse que reconhecer a crise é um passo importante para a reação. “É preciso sair do imobilismo e encontrar caminhos alternativos. Não tenho dúvida de que temos hoje muito mais condições de superar nossas dificuldades. O problema é que vivemos uma letargia nacional que torna a situação ainda mais crítica do que ela é”.

Para o mercado de petróleo, uma das saídas para a crise, segundo Estefen, é usar a ciência, tecnologia e inovação para baixar os custos de produção. “Com o quadro técnico hoje disponível na Petrobras há um campo muito grande para nós trabalharmos e sermos mais efetivos na diminuição dos custos de investimento na produção do petróleo.”

Edição: Luana Lourenço