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Economia

Reforma da Previdência é vital para equilibrar economia, diz presidente do BC

Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 13/12/2017 - 11:49
Brasília

Brasília - O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO), fala sobre a política monetária, creditícia e cambial (Wilson Dias/Agência Brasil)

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, alertou para o risco de bolha no mercado de moedas virtuaisWilson Dias/Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, defendeu hoje (13), em Brasília, a aprovação da reforma da Previdência para dar segurança à economia brasileira, independentemente de mudanças no cenário externo e interno do país.

Ele concedeu entrevista para comentar sobre a economia este ano e a agenda BC+ (medidas para tornar o crédito mais barato, aumentar a educação financeira, modernizar a legislação e tornar o sistema financeiro mais eficiente).

O presidente do BC disse que o cenário externo é atualmente benéfico para o Brasil, mas é prudente não considerar que essa situação vai continuar.

“É algo que não está no nosso controle”. Ele disse que os ajustes e reformas na economia, em particular a da Previdência, são fundamentais para o equilíbrio da economia, com sustentação da inflação e taxa de juros baixas.

2017 foi ano positivo

Goldfajn disse que não faz comentários sobre questões político-eleitorais do próximo ano. “O Banco Central cumpre sua missão permanecendo técnico. Isso também diz respeito à minha pessoa”, disse.

Para ele, 2017 foi um ano positivo pela combinação “rara de redução significativa da inflação”, queda da taxa básica de juros, a Selic, e recuperação da economia de forma disseminada, após dois anos de recessão.

“A partir do final do ano passado, tivemos uma queda substancial da inflação. Essa queda foi e está sendo importante para a população brasileira porque aumentou o poder de compra e permitiu o aumento do consumo, o que viabilizou o começo da recuperação econômica”, disse.

Ele defendeu que a política econômica mudou de direção, ao ser menos intervencionista e não congelar preços, além de ter criado o teto de gastos, ter feito a reforma trabalhista e buscar a reforma da Previdência. Disse, ainda, que o BC foi firme em não elevar a meta de inflação para 2017 no momento em que os preços subiam.

“O ano de 2017 foi bem proveitoso em termos macroeconômicos. Confiem em mim, se eu achasse que o ano não foi bom, não diria que foi proveitoso”, acrescentou. Ele citou que o desemprego começou a cair.

Goldfajn também citou que houve avanço na Agenda BC+, com a 16 ações concluídas e 23 em andamento, como o projeto que estimula o cadastro positivo (registro de bons pagadores), em tramitação no Congresso Nacional. Ele acrescentou que o projeto de autonomia do BC continua em estudo. “O projeto de autonomia tende a reduzir o risco da economia brasileira, com custo fiscal nenhum”, disse.

Cartão de débito

O presidente do BC diz que foi criado um grupo de trabalho para estudar medidas para estimular o uso do cartão de débito. Entre os assuntos que serão debatidos está o custo da operação cobrada dos lojistas. Goldfajn não deu detalhes sobre as medidas que poderão ser adotadas.

Risco de bolha no mercado de moedas virtuais

Na entrevista, o presidente do Banco Central alertou para o risco de bolha no mercado de moedas virtuais. “Moedas virtuais do jeito que estão hoje com essa subida vertiginosa, onde não há lastro, não há ninguém para regular, levam a um risco tal que o Banco Central emitiu um comunicado alertando para os riscos”, disse.

Ele destacou que essas moedas têm atualmente duas funcionalidades. Uma delas é comprar para vender na frente com a alta.

“É uma bolha, uma pirâmide”, disse. A outra “funcionalidade” é usar como instrumento de atividade ilícita. “Usar as moedas virtuais não isenta da pena, da punição”, alertou.

*Matéria ampliada às 12h45