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Projeto comemora reintrodução de cutias na floresta da Tijuca

Publicado em 22/09/2014 - 17:25

Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

 

Projeto de reintrodução de cutias originárias do Campo de Santana, centro do Rio, no Parque Nacional da Tijuca completa cinco anos e celebra a reprodução, nesse habitat, desse animal (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Projeto de reintrodução de cutias originárias do Campo de Santana, centro do Rio, no Parque Nacional da Tijuca completa cinco anos e celebra a reprodução desse animal Tomaz Silva/Agência Brasil

O projeto de reintrodução de cutias originárias do Campo de Santana, centro do Rio de Janeiro, no Parque Nacional da Tijuca completa cinco anos e celebra a  reprodução, nesse habitat, desse animal da espécie de roedores, alguns já na terceira geração. 

Chefe do parque, o biólogo  Ernesto Viveiros de Castro explicou que, após serem capturados no Campo de Santana, os animais são examinados para atestar que estão saudáveis, passam por um período de aclimatação e são soltos gradualmente. “Eles ficam em um cercado no parque, onde recebem alimento e água durante o tempo de aclimatação. Depois, a gente abre o cercado, mas continua com algum suplemento alimentar até que se adaptem totalmente à liberdade”, ressaltou.

Castro observa que reinseri-las na natureza é importante para reconstituir processos naturais em uma floresta. “A cutia tem papel fundamental como dispersora de sementes. Como ela costuma enterrá-las para uso posterior, desperta espécies que dependem desse procedimento para permanecerem na área", comentou o biólogo.

Desde 2009, foram soltos na floresta da Tijuca aproximadamente 20 cutias e hoje já são cerca de 40. “A população cresce e se reproduz. De fato, estamos estabelecendo uma população aqui”, disse Castro. Acrescentou que a ideia é, ao mesmo tempo, reintroduzir mais animais e ampliar a área.

Livres nas florestas, algumas espécies de cutias recebem colares de radiofrequência. Elas também são monitorados por meio de câmeras fotográficas. Conforme o chefe do parque, o ovjetivo é criar uma população viável no longo prazo. O número ideal ainda depende de estudos. Esses roedores são de pequeno porte e vivem, em média, até cinco anos.

Responsável pelo projeto na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a bióloga Alexandra Pires, do Departamento de Ciências Ambientais do Instituto de Florestas, entende que a iniciativa deve continuar, porque acabou gerando um projeto maior, que é a reintrodução de  fauna no Rio de Janeiro. 

O próximo passo é a reinserção, a partir de 2015, de bugios (tipo de macaco) no Parque Nacional da Tijuca. Posteriormente, o trabalho será de reinclusão de antas em todo o estado do Rio de Janeiro, principalmente no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, região serrana fluminense. 

Alexandra informou que  os bugios serão retirados de criadouros particulares, autorizados  pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro. “Nossa preocupação genética é grande, porque tem de ser da mesma espécie". Em geral, são animais da natureza, atropelados ou apreendidos de caçadores e que se encontram em centros de triagem. Ela acredita que, nessa nova fase, o número de parceiros aumentará. Um deles é a Universidade Federal do Norte Fluminense (UENF).

O projeto das cutias é desenvolvido pelo Parque Nacional da Tijuca, em parceria com a UFRJ, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ),  Fundação Parques e Jardins, Fundação Rio Zoo e Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

Edição: Armando Cardoso

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