Você está aqui

Sem dinheiro, GDF pede compreensão dos professores e fim da greve

  • 23/02/2015 20h10publicação
  • 23/02/2015 22h22atualização
  • Brasílialocalização
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil

O  secretário da Casa Civil do Distrito Federal, Hélio Doyle, disse hoje (23), em entrevista à imprensa, que a possibilidade de pedir a ilegalidade da paralisação dos professores na Justiça "não está descartada". Na sexta-feira (27) haverá uma reunião na qual o governo do Distrito Federal (GDF) apresentará detalhadamente a situação financeira. Segundo Doyle, não há possibilidade de pagar os benefícios atrasados fora das condições apresentadas aos professores. Entre elas, o parcelamento até junho. O governo espera a compreensão dos docentes e que eles voltem ao trabalho antes mesmo da reunião, ressaltou.

De acordo com o GDF, a rede pública tem 27 mil professores e a paralisação afeta 470 mil alunos. Caso os professores se mostrem irredutíveis, o governo cogita levar o caso à Justiça. "A greve é, em si, ilegal, vamos estudar isso melhor", disse o secretário. "A questão é muito simples, assumimos essa dívida, não declaramos extinta, mas não fomos nós. Os sindicatos parecem não reconhecer isso. Estamos tentando corrigir, pagar o mais rapidamente possível", acrescentou.

Mais tarde, o GDF informou, por meio da assessoria de imprensa, que entrará na Justiça com o pedido de ilegalidade da greve nesta terça-feira (24).

Sem o pagamento do décimo terceiro salário e férias, professores do Distrito Federal fazem paralisação no primeiro dia de aula, em frente ao Palácio do Buriti (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Greve dos professores começou nesta segunda, dia do início das aulas no DFAntonio Cruz/Agência Brasil

Os professores da rede pública decidiram nesta segunda-feira pela paralisação até sexta-feira. Eles estão com benefícios como abono de férias e décimo terceiro salário atrasados. Os valores são referentes ao final do ano passado e somam quase R$ 200 milhões, de acordo com o GDF. Do total, R$ 35 milhões já foram pagos e outros R$ 35 milhões serão pagos ainda este mês.

Diante de uma dívida acumulada da gestão do ex-governador Agnelo Queiroz, de cerca de R$ 3 bilhões, o governo de Rodrigo Rollemberg ofereceu aos trabalhadores o parcelamento do valor atrasado até junho. Outra possibilidade é a Antecipação da Receita Orçamentária já aprovada pela Câmara Legislativa. Por meio da antecipação, o governo contrai uma dívida a juros, segundo o secretário, de cerca de 15%. Dos bancos consultados – dentre eles o Banco do Brasil –, apenas o Crédit Suisse se manifestou, e negativamente. Caso algum banco aceite a antecipação, a Antecipação da Receita Orçamentária ainda tem que passar pelo Tesouro Nacional e Banco Central. O trâmite todo deve durar até a primeira semana de abril.

"Acho que agora dificultou, porque esperávamos que houvesse compreensão dos professores da situação, e que eles cumprissem o trabalho de dar aula", disse Doyle. "Essa greve não interessa a ninguém. Não interessa a eles [que não terão os benefícios pagos antecipadamente], não interessa aos estudantes, aos pais de alunos ou à sociedade. Quem perde com adiamento das aulas é o conjunto da sociedade brasiliense."

Além da educação, a saúde enfrenta a mesma situação. Juntos, acumulam atrasado de quase R$ 400 milhões. Doyle diz que ambas as áreas receberão o mesmo tratamento. "Não é o fato de estar em greve que vai fazer com que apareça dinheiro". Os médicos também entraram em greve em janeiro. O caso foi levado à Justiça, que determinou que os profissionais voltassem ao trabalho.

 

*Atualizada às 22h22 para acréscimo de informação

Edição: Stênio Ribeiro