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Mulheres Rodadas celebram Dia da Minissaia e lutam contra assédio sexual

  • 08/03/2015 18h04publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

O bloco das Mulheres Rodadas, que fez sua estreia no carnaval deste ano, na Quarta-feira de Cinzas, com um chamado contra o machismo, aproveitou o Dia Internacional da Mulher para reforçar o posicionamento contra o assédio masculino e a favor da liberdade de vestir. A manifestação ocorreu no Posto 4, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

Uma postagem feita em dezembro passado, na internet, por um jovem que dizia não merecer mulher rodada, gerou controvérsias nas redes sociais e acabou levando à criação do bloco. "Uma resposta bem-humorada, na tentativa de ridicularizar atitudes machistas”, disse Renata Carvalho, uma das fundadoras da agremiação. O sucesso alcançado no carnaval levou as participantes a criar o Dia Internacional da Minissaia, que decidiram comemorar neste domingo, junto com o Dia Internacional da Mulher.

A proposta é garantir a liberdade para que as mulheres possam vestir o que quiserem e não sofrer assédio, nem qualquer julgamento. “E muito menos violência”, salientou Renata.

A ativista avaliou que o assédio sexual no Brasil é uma questão cultural. “Muitos caras acham que a mulher vai gostar de ser cantada e de ser tratada dessa maneira”. O movimento das Mulheres Rodadas pretende deixar claro que isso não é bem-vindo, nem aceitável. Segundo Renata, isso acaba sendo o ponto de partida de muitas outras violências que podem vir depois. “É por essas e outras coisas que a gente tem que falar não para isso tudo”.

A cantora Valesca Popuzada gravou vídeo defendendo a causa.

O movimento tem o apoio da Organização das Nações Unidas para as Mulheres, entidade para a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres da Organização das Nações Unidas (ONU), disse a assessora da entidade no Brasil, Gisele Netto. Ela lembrou que a representante do escritório da ONU Mulheres no país, Nadine Gasman, posicionou-se a favor da luta contra o assédio à mulher tanto em lugares públicos como no âmbito doméstico. “A gente está apoiando e está aqui, dando força”.

O aposentado carioca Mauro Licurgo considera perfeito o movimento das Mulheres Rodadas. “Acho que a mulher deve estar sempre buscando seu espaço na sociedade, seus direitos, sem esquecer suas obrigações, seus deveres. Acho esse movimento extremamente válido. O respeito mútuo é importante em todas as etapas de nossa vida e em todos os gêneros também”. A mulher de Mauro, Eliane Licurgo, defendeu a luta das mulheres por seus direitos. “A gente está na luta junto, de igual para igual, muitas mulheres muito mais que os homens. A gente tem que ganhar mais espaço em todos os ambientes”.

A manifestação pela liberdade de se vestir e contra o assédio das Mulheres Rodadas acolheu o movimento de apoio a uma aluna do Colégio Estadual Ignácio Azevedo do Amaral, que foi molestada, no último dia 3, por um homem, enquanto dormia em um ônibus a caminho de casa. Estudantes uniformizadas, de vários colégios do Rio, percorreram parte da orla de Copacabana, reiterando a luta por respeito.

Edição: Kleber Sampaio