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Indústria busca apoio da sociedade contra corte do orçamento do Sistema S

  • 21/09/2015 18h41publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) lançou hoje (21) um abaixo-assinado convidando a sociedade a se mobilizar contra o corte de 30% no orçamento do Sistema S, conforme medidas anunciadas pela equipe econômica no último dia 14. Mais de 7 mil assinaturas já foram recolhidas, em função da repercussão da iniciativa nas redes sociais.

O abaixo-assinado está sendo compartilhado com as demais federações das indústrias e será entregue ao governo federal, “como forma de pressão, para demonstrar o quanto essas medidas mexem não só com os empregados do Sesi, Senai, Sesc, Senac, mas com toda a população, com o povo brasileiro”, disse à Agência Brasil a diretora de Educação do Sistema Firjan, Andréa Marinho. “Porque são estruturas que sustentaram a Revolução Industrial e vêm sustentando todas as revoluções econômicas, de desenvolvimento, desse país”, acrescentou Andréa.

Segundo Andréa, as consequências da apropriação de 30% do recurso compulsório do Sistema S serão “danosas”, pois se somariam ao contingenciamento do orçamento, provocado pela crise econômica, que determinou queda de 16% nas receitas no próximo ano. “Já temos, em nosso planejamento, um efeito importante. E, quando falamos nesses 30% e também na questão da Lei do Bem, estamos falando em reduzir 50% da nossa oferta hoje”. Ela disse que as consequências do corte vão muito além dos cerca de 200 mil alunos que deixarão de ser atendidos nos cursos profissionalizantes. 

Andréa destacou que a medida terá impacto grande na economia e na dinâmica social do país. Ela lembrou que o Sistema S trabalha com jovens que, muitas vezes, saem de uma situação de risco social com a oportunidade de formação que recebem e passam a contribuir para a economia do estado, a gerar renda, com impacto direto em suas famílias. "É um círculo virtuoso que se interrompe: esses jovens não estarão na escola, não estarão no mercado. Estarão onde?”, indagou Andréa. Ela teme que o corte de recursos anunciado pela equipe econômica gere crise social no médio prazo.

Sobre o Sesi Rio, Andréa disse que o corte implicará a suspensão de 320 mil exames e consultas médicas e odontológicas de baixo custo, além de afetar a oferta de cursos profissionalizantes nas 40 comunidades pacificadas nas quais o programa Sesi Cidadania atua. Isso significará privar a população de baixa renda de um atendimento de qualidade que o Sesi oferece, ressaltou. "Já estamos privando a sociedade de um direito social adquirido há 70 anos e que faz diferença na vida das pessoas.”

A diretora de Educação do Sistema Firjan lembrou ainda que muitas empresas que recorrem a esses serviços para qualificar seus funcionários serão prejudicadas e disse que, na crise de apagão da mão de obra pela qual o Brasil passou há alguns anos, quando o país retomou o crescimento e não tinha pessoal qualificado, a indústria ampliou suas redes de atendimento e o número de laboratórios, formou professores. “E agora, uma medida dessas desmonta uma estrutura que foi construída com muito investimento, exatamente para suportar o desenvolvimento do país”, afirmou.

Andréa destacou a necessidade de a indústria contar com pessoal para e fortalecer. ”Como uma indústria pode se tornar competitiva no cenário global e incorporar novas tecnologias o tempo inteiro, sem pessoal qualificado?” De acordo com Andréa, não é hora de reduzir as chances de competitividade do país. “Ao contrário. Tem que investir na formação de pessoas mais talentosas, mais criativas, com maior capacidade de inovação e produtividade, para que elas ajudem as empresas a reagir, a produzir e a voltar a fazer a máquina girar em uma velocidade que ajude a tirar o país dessa situação.”

Mais de 2,3 mil indústrias usam o Senai para qualificar e profissionalizar seus trabalhadores. Este ano, apesar da crise, o índice de alunos inscritos nos cursos atinge 60%. No estado do Rio de Janeiro, o Sesi e o Senai têm 160 unidades fixas e móveis.

Edição: Nádia Franco