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Militantes pedem saída de coordenador do Ministério da Saúde

  • 14/01/2016 17h33publicação
  • Brasílialocalização
Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil

Militantes de entidades que defendem tratamento de transtornos mentais fora de  manicômios fizeram hoje (14) ato público em frente ao Ministério da Saúde. Eles protestaram contra a nomeação de Valencius Wurch para o cargo de coordenador nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas. Os militantes alegam que ele tem posições incompatíveis com os avanços da reforma psiquiátrica brasileira.

De acordo com a psicóloga e representante do Movimento Pró-Saúde Mental-DF, Janisse Carvalho, o protesto marca um mês de ocupação da sala de coordenação-geral de Saúde Mental do ministério. Segundo ela, dez pessoas ocupam pacificamente duas salas do prédio na Esplanada dos Ministérios e pedem a exoneração de Wurch.

“Ele foi diretor, durante alguns anos, do maior hospital psiquiátrico da América Latina, a Casa de Saúde Doutor Eiras, no Rio de Janeiro. O coordenador sempre se mostrou contra a reforma psiquiátrica que vem acontecendo no Brasil desde a década de 80 e se constituiu na Lei 10.216, de 2001. Ele sempre se manifestou contra, se posicionou contra.”

O aposentado Carlos Henrique de Barros, 46 anos, veio de Uberlândia (MG) para prestar apoio à luta antimanicomial. Diagnosticado com esquizofrenia e epilepsia ainda jovem, ele chegou a ser internado 32 vezes – sete delas em hospitais psiquiátricos.

“Vi barbaridades. Ao longo dos anos, vi coisas que, se você visse hoje, não acreditaria que era um ser humano que fazia aquilo. E não me ajudou em nada, só atrasou a minha vida”, disse. Barros recebe tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial e garante estar em situação bem melhor do que a que viveu nos manicômios.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que “o governo federal tem impulsionado a construção de um modelo humanizado, mudando o foco da hospitalização/segregação e promovendo tratamento às pessoas com transtornos mentais e decorrentes do uso de álcool e drogas, com base em um modelo de cuidados voltado para a reinserção social, a reabilitação e a promoção de direitos humanos”.

“A escolha do novo coordenador de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, o médico psiquiatra Valencius Wurch, vem reforçar essa política. Wurch participou das discussões que culminaram na reforma psiquiátrica, amplamente debatida pela sociedade e aprovada pelo Congresso Nacional. O Ministério da Saúde considera a reforma psiquiátrica uma conquista do setor e não admite retrocessos na política em desenvolvimento", garante o ministério.

Edição: Beto Coura