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Capital paulista conta com ajuda de drone e aplicativo no combate ao Aedes

  • 13/02/2016 16h53publicação
  • São Paulolocalização
Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Agentes da prefeitura realizam fumacê para combater o mosquito Aedes Aegypit em Guaianases, zona leste de São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Agentes da prefeitura realizam fumacê para combater o mosquito Aedes Aegypit em Guaianases, zona leste de São Paulo Rovena Rosa/Agência Brasil

A capital paulista terá ajuda de um drone para identificar criadouros do mosquito Aedes Aegypti, informou o prefeito Fernando Haddad, em ação do Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Mosquito Aedes Aegypti, que ocorreu no bairro de Guaianases, na zona leste da capital paulista, na manhã de hoje (13). Participaram também o secretário municipal de saúde, Alexandre Padilha, e o ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues.

“O drone é para aquelas casas que estão fechadas, então ele permite que se visite a casa, sem a necessidade de chamar um chaveiro, e verificar se tem algum foco. Se há o foco, chama-se o chaveiro, mas não precisa chamar antes de entrar [com o drone]”, explicou o prefeito.

No entanto, ele ressaltou que o uso do artifício tecnológico é uma exceção e que a regra continuará sendo a visita dos agentes comunitários de saúde. “Tem cinco mil militares que vão ajudar os agentes a entrar nas casas para fazer esse fumacê que ataca o mosquito; tem larvicida, que é sobretudo para terrenos baldios; e tem a mobilização social para acabar com os criadouros”, disse.

São Paulo - O prefeito Fernando Haddad, o ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, e o secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha, participam do Dia de Mobilização Nacional contra o Aedes aegypti

O prefeito Fernando Haddad, o ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, e o secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha, no dia da mobilização Rovena Rosa/Agência Brasil

Na ação simbólica, em Guaianases, o prefeito, o secretário e o ministro vestiram roupa e máscara especiais e fizeram a nebulização em algumas casas da rua Professor Francisco Russo. A moradora da mesma rua, Jaqueline Oliveira, 20, disse que, das quatro pessoas da família, três tiveram dengue no ano passado e considera importante a ação de combate ao mosquito.

“Aqui em casa não temos nada de água parada, não temos pneus, garrafas, plantas e usamos repelente, mesmo assim pegamos. Meus pais trabalham na área da saúde e mesmo com todo o cuidado, pegamos dengue”, disse. Segundo ela, o local tem sofrido com enchentes, e isso ajuda na formação de criadouros do mosquito Aedes aegypti. “Da última vez, a água subiu até o nível da garagem. [Após a enchente] fica com muito barro, muitos carros destruídos, mato, árvores [caídas], aí demora até tirar tudo”, relatou.

Outros moradores da rua também reclamaram das enchentes, que acabam deixando água empoçada na região. Jair Roberto da Silva, 39, disse que tem criança e idoso em casa e se preocupa especialmente por causa deles. Ele afirma que a ideia da campanha é boa e que as pessoas do bairro se mobilizam para combater possíveis criadouros do mosquito, porém, lembrou que a rua sofre com enchentes, o que causa a formação de poças d'água. “A campanha em si sobre a dengue é boa, mas quando dá enchente aqui não aparece ninguém”, disse.

Uso de tecnologia

O secretário de saúde, Alexandre Padilha, disse que cidade está utilizando novas tecnologias no combate ao mosquito, como o drone, que será um agente aéreo para vistorias residências; testes rápidos para identificar as doenças transmitidas pelo aedes aegypti, além de diferentes larvicidas e inseticidas e aumento no número de agentes de saúde.

A prefeitura lançou ainda o aplicativo “Sem Dengue”, que permite o envio de informações sobre criadouros pela população, o que ajudará no mapeamento dos focos do mosquito. O usuário tira uma foto do possível foco, confirma se o endereço está correto e já pode enviar. A informação é recebida por equipes de supervisão e vigilância sanitária, que incluem o dado no mapeamento da secretaria municipal de saúde. A ferramenta está disponível para os sistemas Android e IOS.

Um dos criadores do aplicativo, Paulo Pandolfi, disse que a ideia surgiu a partir da ¨"importância de empoderar o cidadão na colaboração para a luta contra o mosquito. O cidadão é um agente importante para fiscalização”. Segundo ele, mais 30 prefeituras no país utilizam a ferramenta e reúnem informações estratégicas a fim de mapear e planejar ações para combate ao mosquito.

São Paulo - Agentes da prefeitura realizam fumacê para combater o mosquito Aedes Aegypit em Guaianases, zona leste de São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Agentes da prefeitura fazem fumacê para combater o mosquito em GuaianasesRovena Rosa/Agência Brasil

O secretário de saúde destacou ainda a importância das visitas às casa, informando que 20 mil agentes de limpeza foram colocados nas ruas e que os militares também terão uma presença maior na ação de combate ao mosquito, a fim de mobilizar e conscientizar a população. Ele disse que 85% do foco do mosquito da dengue, na cidade de São Paulo, está dentro da casa das pessoas. Então orientar a população é importante.”

Hoje, durante todo o dia, as Forças Armadas realizaram um mutirão de conscientização. No estado de São Paulo, 22.658 militares do Exército, Marinha e Força Aérea visitam casas, lojas, logradouros públicos e empresas com o objetivo de esclarecer sobre a importância de se eliminar os focos de criação do mosquito aedes aegypti, que transmite a dengue, a chikungunya e vírus zika. A capital paulista reúne o maior efetivo do estado, com 5.021 militares.

Número de casos

Em balanço da secretaria de saúde, o município registrou 4.065 notificações de casos de dengue até a terceira semana epidemiológica, o que corresponde até o dia 20 de janeiro. Dessas, 528 casos autóctones – quando a doença é contraída na própria cidade – foram confirmados, 1.062 foram descartados e o restante está em investigação. No mesmo período epidemiológico do ano passado, foram 1.346 notificações e 376 casos autóctones confirmados.

Foram registrados ainda dois casos autóctones de febre chikungunya este ano na cidade, em moradores do bairro Sacomã, além de 10 casos importados. No ano passado, houve apenas registro de casos importados, um total de 62.

Em relação ao vírus Zika, não há registros de casos autóctones na capital paulista. Porém, a secretaria informou que sete crianças nasceram, entre janeiro de 2015 e janeiro deste ano, com microcefalia e que isso pode ter relação com o vírus zika, o que está sendo ainda investigado. Os indícios apontados pela secretaria são: mãe com histórico de passagem por regiões com casos suspeitos da doença, febre e manchas vermelhas pelo corpo durante a gestação.

Governo Federal

O ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, esteve na ação que marcou este dia de mobilização, em São Paulo. “O governo federal está lutando para sanar esses vírus e incumbiu os ministros, os presidentes de estatais e toda a estrutura do governo federal – está cada um em uma cidade – para acompanhar os órgãos competentes de cada município”, disse.

“É muito importante eu estar aqui em São Paulo, porque acho que é a cidade está bem preparada para o combate ao mosquito. Eu vou relatar e tentar levar isso para as outras cidades também. O mosquito não é mais forte do que um país inteiro”, acrescentou.

Edição: Maria Claudia