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Moradores reclamam de arbitrariedade de policiais em operação no Jacarezinho

Publicado em 21/08/2017 - 21:41

Por Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

Moradores reclamam de arbitrariedades de policiais em operação no Jacarezinho

Moradores reclamam de arbitrariedades de policiais em operação no JacarezinhoVladimir Platonow/ Agência Brasil

A operação deflagrada na madrugada desta segunda-feira (21) em oito comunidades do Rio de Janeiro, com 7 mil homens das forças de segurança e ênfase na Favela do Jacarezinho, resultou na prisão de 43 pessoas, apreensão de 11 armas e de grande quantidade de drogas. Mas também contrariou alguns moradores, que reclamaram de arbitrariedades cometidas pelos agentes de segurança, como invasão de casas e proibição de pessoas de circularem nas ruas.

O ponto crítico da ação foi o Jacarezinho, onde há 11 dias a polícia iniciou uma ofensiva contra o tráfico, reforçada após a morte de um agente da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), o grupo de elite da Polícia Civil.

“Eu nem saí de casa. Estou há 10 dias sem trabalhar. Tenho uma loja e não posso abrir. A sensação é de terror. A polícia não quer saber quem é morador, quem é criança, quem é trabalhador, quem é bandido. Eles entram na casa da gente sem mandado. Pedem licença, mas a gente vai dizer que não vai entrar?”, desabafou um comerciante, que não quis se identificar.

Moradores reclamam de arbitrariedades de policiais em operação no Jacarezinho

Moradores reclamam de arbitrariedades de policiais em operação no JacarezinhoVladimir Platonow/ Agência Brasil

Outra reclamação, referente à operação de hoje, foi o ingresso de policiais em residências e a proibição de moradores circularem nas ruas, o que obrigou muitos a perderem o dia de trabalho.

“Entraram na minha casa e não pediram. Quando vi, estavam na minha laje. Estavam dentro da minha casa. É errado, estava meu marido e meu filho. Ele pulou a minha laje e quando vi, estava lá dentro. Era [policial] civil. Eu me sinto revoltada. Fui trabalhar e tive que voltar, porque não deixaram eu sair. Mandaram eu voltar. Foi gente do Exército”, protestou uma auxiliar de serviços gerais.

Alguns moradores afirmam que se sentem em um presídio a céu aberto, sem liberdade para circular pela comunidade nem certeza de encontrar comida, pois boa parte do comércio permanece fechada durante o dia.

“Direito de ir e vir nós não temos, desde o dia 11. Estamos estocando comida em casa. A verdade é esta. Na minha cozinha tem um tiro de fuzil. Minha filha já gastou um pacote de algodão para botar nos ouvidos, de tanto tiro. É o inferno que a gente está vivendo. Por causa de uma vida [do policial morto], pagam sete pessoas e não sei quantos feridos”, disse uma dona de casa.

Desde a morte do policial da CORE, sete pessoas morreram no Jacarezinho atingidas por balas perdidas, a maioria moradores. Na operação de hoje, além do Jacarezinho, os agentes de segurança atuaram nas comunidades de Manguinhos, Alemão, Mandela, Bandeira 2, Parque Arará, Mangueira e o Condomínio Morar Carioca, todos na zona norte.

Participaram efetivos das polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal e das Forças Armadas. Apesar do tamanho da operação, nenhum fuzil foi apreendido e há suspeitas de que o plano vazou no dia anterior, o que fez muitos traficantes deixarem as comunidades. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, negou que tenha havido vazamento de informações.

Moradores reclamam de arbitrariedades de policiais em operação no Jacarezinho

Moradores reclamam de arbitrariedades de policiais em operação no JacarezinhoVladimir Platonow/ Agência Brasil

O Comando Militar do Leste foi procurado para se pronunciar sobre as denúncias dos moradores, mas só respondeu às 12h do dia seguinte à publicação.  De acordo com a assessoria de comunicação da Operação em Apoio ao Plano Nacional de Segurança Pública, as Forças Armadas brasileiras foram empregadas "em ações de cerco e ocupações de pontos sensíveis". "Nessas atividades, o procedimento de abordagem de pessoas preconiza as boas regras de conduta baseadas no respeito e educação, prezando pela segurança de todos, e não impede o direito de ir e vir", argumentou.

*texto atualizado às 14h50 do dia 22/08 para incluir posicionamento do Comando Militar do Leste.

Edição: Amanda Cieglinski

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