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Ao som de sucessos, fãs e amigos se despedem de Beth Carvalho

Corpo da sambista foi velado na sede do clube Botafogo

Publicado em 01/05/2019 - 13:37

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

Centenas de fãs e amigos se despediram hoje (1º) da cantora Beth Carvalho. O corpo da sambista foi velado no salão nobre da sede do clube Botafogo de Futebol e Regatas, time do qual Beth era torcedora.

Bandeiras do clube e da Estação Primeira de Mangueira, escola de samba do coração de Beth, foram posicionadas ao redor do caixão. Nas caixas de som, tocavam diversos sucessos gravados pela sambista em seus quase 60 anos de carreira. O mangueirense Nelson Sargento, um dos símbolos da Verde e Rosa, que teve uma de suas músicas, Agoniza, mas não morre, gravada em 1978 por Beth Carvalho, também esteve no velório.

Velório do corpo da cantora Beth Carvalho no salão nobre da sede do clube Botafogo de Futebol e Regatas, time do qual Beth era torcedora. Na foto o cantor e compositor, Nelson Sargento.
Velório do corpo da cantora Beth Carvalho no salão nobre da sede do clube Botafogo de Futebol e Regatas, time do qual Beth era torcedora. Na foto o cantor e compositor, Nelson Sargento. - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ao se despedir da companheira de música, a também cantora Zélia Duncan disse que o Brasil está chorando a perda da Madrinha do Samba. “O Brasil está chorando [a morte de] uma representante corajosa, de um talento raro, que contribuiu imensamente para a música brasileira, para o pensamento brasileiro e para mulher brasileira. O repertório de samba da Beth é o mais lindo do Brasil e um dos mais completos”, declarou.

Velório do corpo da cantora Beth Carvalho no salão nobre da sede do clube Botafogo de Futebol e Regatas, time do qual Beth era torcedora.
Velório do corpo da cantora Beth Carvalho no salão nobre da sede do clube Botafogo de Futebol e Regatas, time do qual Beth era torcedora. - Tânia Rêgo/Agência Brasil

A cantora Teresa Cristina lembrou que, apesar da saúde debilitada dos últimos anos, Beth Carvalho nunca se deixou abater. “Uma pessoa que convive 12 anos com dor. Às vezes, com qualquer mal-estar, a gente fica em casa e não consegue cantar. E ela quis cantar até o último dia. Ela queria cantar no dia 5”, disse a cantora, referindo-se ao show de aniversário da sambista, marcado para o próximo domingo (5).

Segundo o empresário da sambista, Afonso Carvalho, mesmo internada no hospital, Beth não conseguia ficar parada. “Ela foi uma guerreira que buscava nos palcos a força para se manter confiante, com alegria. Ela estava agora numa situação delicada, fragilizada e ela idealizou fazer o aniversário dela no palco do Vivo Rio. Era difícil para uma pessoa comum olhar aquela pessoa no leito do hospital se programando para fazer um show”, explicou.

Um dos principais nomes do samba, Zeca Pagodinho lembrou o apoio que Beth Carvalho deu a novos talentos da música brasileira, inclusive a ele próprio, no início de sua carreira. “Ela botou muita gente lá em cima. Costumo brincar que eu era um simples compositor e virei um Zeca Pagodinho por causa da Beth. Meu negócio era compor. Ela me pôs para gravar Camarão que Dorme a Onda Leva com ela, e eu virei esse Zeca Pagodinho que o Brasil hoje aplaude”, recordou.

Velório do corpo da cantora Beth Carvalho no salão nobre da sede do clube Botafogo de Futebol e Regatas, time do qual Beth era torcedora. Na foto o cartor e compositor, Zeca Pagodinho.
Velório do corpo da cantora Beth Carvalho no salão nobre da sede do clube Botafogo de Futebol e Regatas, time do qual Beth era torcedora. Na foto o cartor e compositor, Zeca Pagodinho. - Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fãs

Fabio Fernandes, membro do fã-clube Andança, criado em 2005, veio de Minas Gerais especialmente para a despedida. “A gente estava se preparando para vir pro show de aniversário, mas infelizmente fomos pegos de surpresa. Mas só tenho lembranças boas. O fã-clube lamenta muito essa morte, mas o céu está em festa agora”, disse.

Após o velório, o corpo de Beth Carvalho foi levado para o Crematório e Cemitério da Penitência, localizado no bairro do Caju, região portuária do Rio de Janeiro. A cerimônia de cremação foi aberta apenas à família, a amigos próximos e fãs.

Texto atualizado às 16h52 do dia 02/05/2019

 

Edição: Wellton Máximo

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