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Assassinato de ex-espião da KGB foi “ação autorizada pelo Estado”, diz Cameron

  • 21/01/2016 19h54publicação
  • Londreslocalização
Da Agência Lusa

David Cameron em Davos

Para David Cameron, o que ocorreu confirma aquilo em que o governo britânico sempre acreditouEPA/ Laurent Gillieron/Agência Lusa

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse hoje (21), em Davos, na Suíça, que o ex-espião da KGB Alexander Litvinenko foi assassinado numa “ação autorizada pelo Estado”. Cameron se manifestou sobre o assunto após a divulgação de um inquérito britânico sobre a morte do ex-agente russo.

“O que ocorreu foi absolutamente chocante e este relatório confirma aquilo em que sempre acreditamos, aquilo em que o último governo trabalhista acreditava sobre o terrível assassinato, que foi uma ação autorizada pelo Estado”, afirmou Cameron em declarações às televisões britânicas durante o Fórum Económico Mundial de Davos.

“É por isso que o governo anterior decidiu expulsar diplomatas russos, emitir mandatos de captura e rejeitou cooperar com os serviços de informações russos, medidas que ainda se mantêm”, acrescentou o chefe do governo britânico.

Cameron disse ainda que o atual governo britânico decidiu reforçar as medidas, principalmente através do congelamento de bens, e solicitar às autoridades judiciárias uma avaliação das possíveis repercussões do inquérito.

As conclusões de um inquérito oficial à morte de Alexandre Litvinenko, hoje divulgadas por um juiz britânico, informam que o presidente russo, Vladimir Putin, "provavelmente aprovou" o assassinato em Londres do ex-espião da KGB, executado por dois agentes russos.

Alexandre Litvinenko, de 43 anos, morreu envenenado por polônio no fim de novembro de 2006, três semanas após um encontro no Millennium Hotel, no centro de Londres, com dois ex-agentes russos, Andrei Lugovoi - atualmente deputado de um partido nacionalista - e Dmitri Kovtun, empresário.

"A operação do Serviço Federal de Segurança da Federação Russa - FSB (ex-KGB) foi provavelmente aprovada por Patruchov (Nikolai Patruchov, ex-chefe do FSB) e também pelo presidente Putin", disse o juiz Robert Owen.

Rússia

“Tenho a certeza de que Lugovoi e Kovtun colocaram o polônio 210 no bule (de chá) em 1º de novembro de 2006. Tenho certeza de que fizeram isto com a intenção de envenenar Litvinenko", afirmou o magistrado.

A ministra do Interior, Theresa May, anunciou hoje o congelamento de bens dos alegados autores do assassinato do ex-espião da KGB.

Lugovoi e Kovtun rejeitam qualquer implicação na morte de Litvinenko, denunciando as acusações “absurdas” e as provas “fabricadas” pela justiça britânica.

Em reação ao documento, a presidência da Rússia afirmou hoje que o inquérito britânico sobre a morte do ex-espião da KGB parece uma “piada”, salientando a falta de provas concretas no processo.

“Talvez seja uma piada”, disse o porta-voz do Kremlin (sede da presidência russa), Dmitri Peskov, em declarações aos jornalistas.

“O mais provável é que possa ser atribuído ao humor britânico”, ironizou o representante russo, lembrando que as conclusões do inquérito “foram realizadas com base em informações pouco convincentes, com um uso abundante de palavras como possivelmente e provavelmente.”