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Estudantes apresentam em feira repelentes e inseticidas contra Aedes aegypti

  • 16/03/2016 06h57publicação
  • São Paulolocalização
Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil

Aedes aegypti

Experiências para combater o mosquito Aedes aegypti são apresentados por alunos durante feira em São Paulo Divulgação/Fiocruz

Experimentos de produtos que combatem o mosquito Aedes aegypti, desenvolvidos por estudantes, estão entre os destaques da 14ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que ocorre na Universidade de São Paulo (USP).

As irmãs Danielle Matos e Isabelle Matos, alunas da Escola Status Jardim Paulista, de Campo Grande (MS), desenvolveram um óleo à base de folhas de pitangueira – Eugenia uniflora – capaz de, segundo testes iniciais, repelir e matar o mosquito.

“A nossa ideia surgiu a partir de uma observação feita em casa. De quatro pessoas, só três pegaram dengue. Minha irmã, eu e meu pai. A minha mãe foi a única que não pegou. Na mesma semana, ela tinha trocado o perfume e começado a usar um à base da pitanga. Aí surgiu a ideia”, contou Danielle.

O produto aplicado em água parada reduziu em 85% a presença de ovos, mostrando um efeito repelente à fêmea do mosquito. O óleo também foi capaz de matar de 50% a 62,5% as larvas que nasceram dos ovos.

“A gente encontra um pneu em terreno baldio e, quando chover, esse pneu vai ser um possível foco do mosquito. A gente pinga algumas gotas lá dentro e o mosquito vem e não deposita seus ovos. E se depositar, o óleo vai matar na fase de ovo de larva, não vai virar mosquito”.

Segundo as estudantes, não é possível fabricar o óleo em casa, já que para isso seriam necessários solventes e equipamentos apenas encontrados em laboratórios. O produto ainda não foi testado para uso na pele humana. De acordo com as alunas, ainda são necessários mais estudos para a produção em larga escala.

O aluno Leandro Rastelli, da Escola Afonso Cafaro, de Fernandópolis (SP), buscou desenvolver um larvicida à base da planta Dieffenbachia picta schott, conhecida popularmente como Comigo Ninguém Pode. Os testes iniciais comprovaram que a toxicidade da planta também tem efeito sobre a larva, a pupa e o mosquito Aedes aegypti.

“A ideia é pegar a planta Comigo Ninguém Pode e fazer um inseticida natural, de fácil fabricação, que possa combater a larva, a pupa e também o mosquito. É um líquido, que seria colocado primeiramente em calhas e ralos, lugares difíceis para se combater a dengue e de difícil acesso às pessoas”, disse Leandro. Devido à toxicidade da planta, não é recomendado, no entanto, que as pessoas tentem produzir em casa, a partir do Comigo Ninguém Pode, qualquer tipo de produto para combater o mosquito.

A 14ª edição da Febrace começou nessa terça-feira (15) na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), na capital. Estão em exposição 341 projetos de 752 estudantes dos ensinos fundamental, médio e técnico de escolas públicas e particulares de todo o Brasil, orientados por 476 professores. A exposição vai até o próximo dia 17.

“O mais importante não são os resultados, como chegar a um protótipo ou produto, por exemplo, mas todo o processo, as diversas etapas de investigação, reflexão, construção e observação necessárias para a execução dos projetos”, destaca a coordenadora da Febrace, Roseli de Deus Lopes, professora da Escola Politécnica da USP.

Os alunos com as pesquisas melhor avaliadas ganharão troféus, medalhas, bolsas e estágios, num total aproximado de 200 prêmios. Também concorrerão a uma das nove vagas para representar o Brasil na Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel (Intel ISEF), que será realizada em maio, na cidade de Phoenix, no Arizona (EUA).

Edição: Graça Adjuto