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Sonda Cassini encerra missão com "mergulho" inédito nos anéis de Saturno

  • 26/04/2017 10h41publicação
  • Brasília localização
Leandra Felipe – Correspondente da Agência Brasil
Imagem de divulgação da Nasa mostra ilustração da sonda Cassini sobre os anéis do hemisfério norte de Saturno

Imagem de divulgação da Nasa mostra ilustração da sonda Cassini sobre os anéis do hemisfério norte de SaturnoImagem de divulgação/Nasa/EPA/Agência Lusa

Após 19 anos no espaço, a sonda (radar) Cassini está em sua última missão. A sonda está na órbita de Saturno e deve começar hoje (26) uma série inédita de mergulhos para explorar os anéis do planeta. Espera-se que ela capte imagens novas entre as luas de Saturno. De acordo com a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), Cassini passou pela última lua de Saturno no sábado (22) e atingiu a gravidade do planeta, para encerrar sua missão com a execução de 22 órbitas.

Após executar a sequência de giros entre os anéis, Cassini vai se aproximar cada vez mais da superfície do planeta, até colidir-se com ele.

Segundo a Nasa, Cassini usou a orla gravitacional de Titã, uma lua semelhante à Terra para se lançar na órbita até então desconhecida, entre as nuvens de Saturno e seus anéis. Cassini deve completar os 22 mergulhos no dia 15 de setembro, quando deve ser destruída, voando diretamente para a atmosfera de Saturno.

No sábado, o radar passou pela 127ª vez pela órbita de Titã e foi programada para iniciar sua tarefa final atingindo a atmosfera dos anéis. Durante a sequência, Cassini vai medir a quantidade de gelo e analisar a composição química dos materiais ao redor dos anéis. Os cientistas da Nasa esperam colher informações importantes para descobrir do que os anéis são feitos.

Além disso, espera-se coletar informações na atmosfera do planeta para calcular a dimensão do núcleo rochoso de Saturno.

Cassini começou sua missão em Saturno e suas 62 luas conhecidas em 2004 e segundo a Nasa está com pouco combustível. Os responsáveis pelo projeto decidiram encerrar a missão com o mergulho na superfície de Saturno, para evitar que Cassini colida-se com Titã.

A sonda fez uma última aproximação de Titã no dia 21 de abril e os dados foram transmitidos para a Terra. Foram coletadas imagens e dados por radares que agora serão analisados durante várias décadas por cientistas, porque segundo a Nasa há um volume muito grande de informações.

Cassini foi lançada em 15 de outubro de 1997 na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral. O projeto envolveu 17 países e teve um custo de cerca de US$ 3,26 bilhões de dólares.

A geóloga e astronauta brasileira Rosaly Lopes integra a equipe do radar na Nasa desde de 2002.

Edição: Lílian Beraldo