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Barusco diz que começou a receber propina em 1997

  • 10/03/2015 12h39publicação
  • Brasílialocalização
Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil
O engenheiro Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras e delator da Operação Lava Jato, da Polícia Federal depõe na CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O engenheiro Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras e delator da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, depõe na CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados Antonio Cruz/ Agência Brasil


Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, o ex-gerente da estatal Pedro Barusco reafirmou que começou a receber propina em 1997, ainda sob o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e que estima que o PT recebeu de US$ 150 milhões a 200 milhões entre 2003 e 2013.

“Comecei a receber propina em 1997, 1998. Foi uma iniciativa minha, pessoal. De forma mais ampla, com outras pessoas da Petrobras, a partir de 2003, 2004”, disse Barusco após ser questionado pelo relator da CPI, Luiz Sérgio (PT-SP). Barusco, porém, ressaltou que não daria detalhes do esquema. “Com relação a esse período eu não vou tecer maiores detalhes, existe uma investigação em curso que me dá o direito de não comentar esses detalhes”, disse.

Ao ser questionado sobre como era dividido o montante desviado, Barusco disse que não sabe exatamente quanto era repassado ao partido, mas garantiu que um percentual da propina ia para o PT. “Cabia a mim uma quantia que eu recebi e ao PT, outra quantia. Eu estimo que cabia a ele [ao partido] ter recebido entre US$ 150 milhões e 200 milhões. Não sei como o João Vaccari Neto [tesoureiro do PT] recebeu, se recebeu. Se foi doação oficial, se foi conta no exterior. Sei que existia uma quantia de propina para o PT”, afirmou o ex-gerente. Barusco disse ainda que não tem condições de afirmar se o dinheiro foi efetivamente entregue ao partido por Vaccari Neto.

Barusco relatou à CPI que a propina paga pelas empresas contratadas pela Petrobras variava entre 1% e 2% dos valores dos contratos. Do total desviado, metade era destinada para o PT, por meio de João Vaccari, e metade para a "casa” [diretores da Petrobras envolvidos no esquema]. Ele citou os nomes de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras; Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, e Roberto Gonçalves, que o sucedeu na Petrobras.

O depoimento do ex-gerente da Petrobras à comissão começou por volta das 11h e acontece em sessão aberta, apesar de ter apresentado um pedido ontem (9) para que seu depoimento ocorresse em sessão secreta.

Edição: Denise Griesinger