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Bumlai pede dispensa de Lula como testemunha de defesa

  • 11/03/2016 14h10publicação
  • Brasílialocalização
André Richter – Repórter da Agência Brasil
Brasília - O pecuarista José Carlos Bumlai, depõe na CPI do BNDES (Valter Campanato/Agência Brasil)

O pecuarista pediu ao juiz Sérgio Moro que dispense  Lula de prestar depoimento  Arquivo/Agência Brasil

A defesa do pecuarista José Carlos Bumlai pediu hoje (11) ao juiz federal Sérgio Moro dispensa do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como testemunha de defesa do empresário. O depoimento foi marcado para segunda-feira (14), às 9h, por meio de videoconferência, na Justiça de São Paulo.

Em troca do depoimento presencial, Lula mandou esclarecimentos por escrito ao juiz. O ex-presidente disse que é amigo de Bumlai desde 2002 e que nunca tratou de assuntos políticos com o pecuarista. Lula também informou que nunca teve conhecimento de que Bumlai tenha usado a amizade com ele para obter vantagens em qualquer tipo de negócio.

Os depoimentos ocorrem na ação penal em que Bumlai e mais 10 investigados na Operação Lava Jato foram denunciados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

De acordo com a acusação do Ministério Público Federal (MPF), Bumlai usou contratos firmados com a Petrobras para quitar empréstimos com o Banco Schahin. Segundo os procuradores, depoimentos de investigados que assinaram acordos de delação premiada revelam que o empréstimo de R$ 12 milhões se destinava ao PT e foi pago mediante a contratação da Construtora Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras, em 2009.

Desde o surgimento das primeiras denúncias, o PT sustenta que todas as doações obtidas pelo partido foram feitas de forma legal e declaradas às autoridades. A Schahin afirma que o modelo de contratação dos navios-sonda foi o mesmo praticado pela Petrobras com todas as concorrentes que prestaram igual serviço.

Confira a íntegra das informações prestadas por Lula ao juiz Sérgio Moro;

“Conheço o Sr. José Carlos da Costa Marques Bumlai desde 2002. A partir daí tornamo-nos amigos, amizade que se estendeu a nossas famílias. Mantivemos convívio próximo em diversas ocasiões”.

Posso assegurar com toda certeza que, durante todo esse período de convivência, nas inúmeras vezes em que estivemos juntos, jamais tratamos de assuntos políticos, muito menos de eventuais interesses do Sr. Bumlai junto ao governo, órgãos estatais ou empresas públicas.

Jamais tive conhecimento de eventual interesse do Sr. Bumlai em negócios relativos a sondas de prospecção de petróleo, seja através do grupo Schahin, seja de outros, assim como jamais manifestei a quem quer que fosse que esse assunto pudesse causar-lhe problemas ou pedi ajuda para ‘protege-lo’ de um mal cuja existência desconheço.

Nunca tive notícia de que o Sr. Bumlai pudesse ter se valido de sua relação pessoal comigo para obter qualquer vantagem ou benefício em qualquer tipo de negócio, com contraparte pública ou privada.”

Considero o Sr. José Carlos da Costa Marques Bumlai um homem de bem, honesto e pai de família exemplar, tendo-o na mais alta conta.”

O texto foi alterado às 14h51

Edição: Nádia Franco