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Mercadante diz que nunca tentou impedir delação de Delcídio

  • 15/03/2016 15h37publicação
  • Brasília localização
Mariana Tokarnia, Marcelo Brandão e Ivan Richard - Repórteres da Agência Brasil

Brasília - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em coletiva à imprensa, fala sobre delação premiada do senador Delcídio do Amaral (Valter Campanato/Agência Brasil)

Mercadante disse que trechos importantes da conversa com o assessor de Delcídio foram omitidos na transcrição do áudioValter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse hoje (15) que nunca tentou impedir que o senador Delcídio do Amaral (MS) assinasse acordo de delação premiada. Segundo ele, a conversa com o assessor do senador, José Eduardo Marzagão, partiu dele e não foi um pedido da presidenta Dilma Rousseff. O senador pediu hoje desfiliação do PT.

Segundo Mercadante, trechos importantes de sua conversa com o assessor de Delcídio foram omitidos na transcrição do áudio divulgado hoje na imprensa.

“Se vocês olharem o áudio do que foi transcrito, tem trechos fundamentais que não foram devidamente relatados. Em um trecho eu digo 'não estou nem aí se vai delatar ou não, não estou nem aí' [...] 'tem que construir uma saída viável, eu não vou entrar nisso, ele faz o que achar que deve'”, defendeu-se.

Delcídio afirma que Mercadante teria oferecido ajuda financeira para evitar a delação premiada. O senador entregou ao Ministério Público Federal gravações de dois encontros entre Mercadante e Marzagão que comprovariam a tentativa.   

Ainda segundo Delcídio, Mercadante teria dito também que intercederia junto aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, e do Senado, Renan Calheiros, no sentido de favorecer a soltura do senador. O ministro, no entanto, negou ter tomado essa iniciativa. “Eu falo [na gravação] que não vou me meter na defesa dele. O meu gesto é de solidariedade pessoal. Jamais falei com qualquer ministro do Supremo sobre este assunto ou qualquer outro.”

O ministro diz que procurou Marzagão para prestar solidariedade às filhas do senador, que estariam sendo submetidas a uma campanha difamatória na internet. O ministro alegou que acreditar que o Senado poderia rever a prisão de Delcídio por alguma “tese jurídica”. “A iniciativa do diálogo foi minha, eu me sensibilizei com a campanha que estão fazendo com as filhas dele. […] Por ser senador, achava que haveria uma tese jurídica em que o Senado se pronunciasse para ele ficar em prisão domiciliar.”

O ministro disse ainda que “não está nem aí” sobre a decisão de Delcídio de fazer a delação premiada. “Minha preocupação é zero. Não estou nem aí se vai delatar ou não. Não estou nem aí”.

Mercadante reiterou: "Não trato de delação". Segundo ele, há uma tentativa do assessor de Delcídio do Amaral de "induzir esse assunto". 

“Ele [Marzagão] tenta ao longo da conversa me induzir a uma defesa jurídica. E quando ele tenta me induzir eu digo que não vou me meter na defesa dele. 'Não sou advogado, não sei do que se trata, não tenho que fazer', eu disse”.

Mercadante disse ainda que vai manifestar à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal (STF) a disponibilidade de esclarecer o fato. O ministro disse que tomará providências legais contra o assessor.

Permanência no ministério

Perguntado, Mercadante garantiu que não pediu demissão do Ministério da Educação e que fica na pasta enquanto a presidenta Dilma Rousseff desejar. “Se eu fico no governo? Enquanto eu tiver a confiança da presidenta Dilma, eu ficarei”.

Antes de conversar com os jornalistas, o ministro esteve no Palácio do Planalto. Em reunião com a presidenta, deu as mesmas justificativas a ela e assumiu a responsabilidade do encontro que teve com o assessor de Delcídio. Para ele, Marzagão agiu de “má-fé” diante de um “gesto de caridade”. “Espero que esse país valorize o companheirismo, o gesto de caridade”, completou.

 

*A matéria foi ampliada às 15h53 e às 18h13

Edição: Lílian Beraldo