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Telmário Mota é novo relator do caso Delcídio no Conselho de Ética do Senado

  • 02/03/2016 17h36publicação
  • Brasílialocalização
Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil

O senador Telmário Mota (PDT-RR) será o novo relator da representação contra o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) no Conselho de Ética do Senado. O nome de Telmário foi sorteado hoje (2), depois que o relator originário do caso, senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), foi impugnado porque seu partido apoiou a representação.

Senador Telmário Mota (Waldemir Barreto/Agência Senado)

Senador Telmário Mota é novo relator no caso de Delcídio do Amaral no Conselho de ÉticaWaldemir Barreto/Agência Senado

Antes do sorteio de Temário, no entanto, houve certo constrangimento na reunião do conselho, porque vários senadores pediram para serem retirados do sorteio. “Não queriam por foro íntimo”, explicou o presidente do colegiado, senador João Alberto Souza (PMDB-MA). “É permitido pelo regimento que quem não queira não seja relator. Alguns estavam muito assoberbados de trabalho e outros eram muito amigos do senador e não quiseram relatar”.

Ao fim, ao serem retirados os nomes dos senadores cujos partidos estavam impedidos de relatar – Rede e DEM por terem assinado a representação, PSDB por ter declarado apoio a ela e PT por ser o partido do senador representado – e os senadores que abdicaram dessa possibilidade, sobraram apenas o nome de Telmário, Lasier Martins (PP-RS) e João Capiberibe (PSB-PB).

Logo após ter seu nome sorteado, Mota garantiu que, ao contrário dos colegas, não se sente constrangido em relatar o caso de Delcídio. “Um senador tem que ser senador por inteiro. Se você vem para cá com alguma coisa que lhe impeça de fazer o seu trabalho, é melhor ir embora para casa”, disse.

Agora, Telmário Mota terá prazo de cinco dias úteis para tomar conhecimento da defesa prévia de Delcídio e dar parecer se o processo contra ele deverá ser aberto ou arquivado. O parecer dele será votado pelo conselho na quarta-feira (9), às 14h30. O novo relator não quis antecipar sua posição e disse que vai “julgar com imparcialidade”.

Caso decida pela abertura do processo contra Delcídio do Amaral, o Conselho de Ética começará ouvindo testemunhas de defesa e acusação, analisando provas que eventualmente sejam apresentadas e o relator, ao final, fará um novo parecer sugerindo a absolvição dele ou alguma punição que, no extremo, pode chegar à cassação do mandato.

Lava Jato

Delcídio do Amaral passou mais de 80 dias preso após ser flagrado em uma gravação na qual oferecia R$ 50 mil por mês e um plano de fuga para o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, não fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público no âmbito da Operação Lava Jato. A gravação foi feita pelo filho do ex-diretor, Bernardo Cerveró, que recebeu a oferta de Delcídio e entregou o áudio aos procuradores do caso.

Na conversa, Delcídio também garantia a Bernardo que poderia conseguir um habeas corpus para Nestor Ceveró no Supremo Tribunal Federal porque tinha influência sobre alguns ministros. A defesa do senador alega que ele era amigo da família Cerveró e participou da reunião nesta condição e não como parlamentar. Além disso, os advogados alegam que Delcídio citou a possibilidade de conseguir a soltura do ex-diretor como uma forma de “acalentar um filho desesperado”, mas nunca chegou a executar de fato nenhuma das propostas feitas na conversa.

Hoje, o advogado do senador, Gilson Dipp, que pediu a troca da relatoria no conselho, disse que ficou satisfeito com a mudança e espera que ela contribua para que o caso seja analisado de forma equilibrada. “Os três nomes eram bons. Nós temos que confiar que o relator seja isento e faça um relatório justo”, disse.

Edição: Fábio Massalli