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SP: Caminhada da AIDS chama atenção para prevenção da doença

Preconceito ainda prejudica diagnóstico precoce e tratamento

Publicado em 01/12/2019 - 14:08

Por Ludmilla Souza - Repórter da Agência Brasil São Paulo

Centenas de pessoas em São Paulo participam hoje (1o) de uma caminhada que partiu da Rua Augusta até a Avenida Paulista para dar visibilidade à luta das pessoas que vivem com o HIV (vírus da imunodeficiência humana) pelo direito ao tratamento. Ao som de um trio elétrico, os manifestantes buscam conscientizar a sociedade de que é necessário continuar prevenindo o vírus, assim como o avanço das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

A 3ª Caminhada da AIDS, iniciativa da Coordenação de Políticas LGBTI, que integra a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, também tem como bandeiras o combate ao preconceito contra as pessoas com HIV e o reforço da mensagem de que é possível manter a qualidade de vida mesmo que a pessoa tenha contraído o vírus. 

"Pretendemos mostrar para a sociedade que existem formas de prevenção e que toda a pessoa portadora do HIV tem direito a viver, a um tratamento médico decente. Nossa luta este ano é pela não desconstrução e pela continuação da distribuição de medicamentos para as pessoas que convivem com HIV", explicou o coordenador municipal de políticas LGBTI, Ricardo Luís Dias.

Durante a concentração para a caminhada, nas imediações do Parque Augusta, a reportagem da Agência Brasil conversou com o estudante David Oliveira dos Santos. Ele descobriu que é soropositivo há dois anos e se tornou ativista do movimento de Luta contra Aids. Para ele, a caminhada é importante para conscientizar e dar visibilidade ao assunto.

“A gente vive em um momento que falar sobre sexo é tabu e infelizmente temos um dia só pra gente falar sobre HIV/ Aids de forma mais ampla, tanto em questões de políticas públicas, questões de acolhimento e empatia e respeito. A gente vive hoje um grande avanço em questão de tratamento, mas ainda vivemos nos anos 1980 em relação ao preconceito. Esperamos, com essa caminhada, atingir pessoas que nunca ouviram falar sobre o Dia Mundial de Luta contra a AIDS, para conscientização sobre a doença”, disse.

O diretor interino do UNAIDS no Brasil, programa das Nações Unidas que tem a função de criar soluções e ajudar nações no combate à AIDS, um dos parceiros da caminhada, disse que a caminhada marca a importância de manter o assunto em discussão “e que a AIDS ainda é um tema importante, não só de saúde, mas um tema social importante e que precisa ter visibilidade. Fazer a caminhada nesse domingo também tem esse intuito de levar visibilidade para esse dia”.

Para a consultora do UNAIDS em prevenção em HIV AIDS, Silvia Almeida, o preconceito ainda ronda quem convive com a doença. "Temos visto muitos avanços na questão do HIV/AIDS com relação a medicamento, diluição do número de mortos. Todos os esforços estão sendo feitos para que as testagens aconteçam em todos os lugares para que as pessoas possam conhecer sua sorologia e iniciar tratamento previamente. Mas, o que mais distancia todas as pessoas da testagem do HIV e do contato com pessoas que tem AIDS é ainda o preconceito. Essa caminhada chama atenção da população que ainda é necessário muito solidariedade para a gente vencer todos os estigmas com os quais a AIDS chegou até a gente. Queremos que as pessoas saibam mais sobre prevenção, sobre HIV, e sejam mais solidárias", alertou.

Durante todo o domingo, na Avenida Paulista, uma unidade de Secretaria Municipal da Saúde atenderá os interessados em realizar testes de HIV. Há também uma Unidade Móvel LGBTI para atender os interessados em saber sobre iniciativas de programas da prefeitura à comunidade.

Histórico

A 1ª Caminhada da AIDS de São Paulo foi realizada em 2 de Dezembro de 2017. Na época, a inspiração veio de iniciativas semelhantes nos Estados Unidos, que contam com a participação de toda a sociedade.

Edição: Carolina Gonçalves

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