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Museu Afro Brasil comemora 462 anos de São Paulo com programação especial

  • 17/01/2016 14h48publicação
  • São Paulolocalização
Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

O Museu Afro Brasil celebra os 462 anos da capital paulista com exposições de dois artistas paulistanos, além do lançamento do livro 100 anos de Feiras Livres na Cidade de São Paulo e de uma atividade para crianças conhecerem o museu. A abertura será no próximo sábado (23), antevéspera do aniversário da cidade.

A coordenadora curatorial do Afro Brasil, Ana Lúcia Lopes, disse que o museu homenageia a cidade fazendo uma ligação entre a história e a contemporaneidade de São Paulo do ponto de vista da arte.

“O tema é São Paulo no Museu Afro Brasil e como o museu está homenageando a sua cidade. Está homenageando dois artistas paulistanos, está oferecendo ao público o lançamento do livro sobre feira livre, que caracteriza as feiras livres com a cidade, e também essa experiência de passear pelo acervo de forma lúdica, mostrando a relação Brasil-África”, disse.

A valorização de artistas paulistanos é um dos motes do evento. A exposição Louça Fina, de Fernando Ribeiro, apresenta 80 trabalhos inéditos, entre pinturas e colagens. Ele discute questões diversas, desde o consumismo até o valor da obra de arte como memória e parte da história. O público poderá conferir também um aspecto curioso: simples pratos de papelão se transformarem em obras de arte a partir da intervenção do artista.

A exposição Louça Fina, de Fernando Ribeiro, apresenta 80 trabalhos inéditos, entre pinturas e colagens

A exposição Louça Fina, de Fernando Ribeiro, apresenta 80 trabalhos inéditos, entre pinturas e colagensDivulgação/Museu Afro Brasil

A exposição Cúmulo, do artista plástico Caíto, apresenta 20 esculturas inéditas e mostra um excesso de coisas que se sobrepõem umas às outras. Ele traz objetos amontoados, representando um acúmulo.

“Ele potencializa uma ideia de acumulação e tem uma sobreposição de obras que tornam o resultado provocativo e esteticamente muito interessante. É uma incidência máxima de objetos acumulados que se transformam numa obra”, disse a coordenadora.

Já o livro sobre feiras livres na capital paulista, que são centenárias e tão presentes na rotina da cidade, conta um pouco da sua construção histórica. As feiras livres foram organizadas e disciplinadas por ato do prefeito Washington Luiz, em 1914, e sobrevivem até os dias de hoje, apesar de algumas previsões que historicamente apontaram para o seu desaparecimento das ruas paulistanas. Segundo Lopes, “é um livro importante, que recupera uma experiência para além de econômica, uma experiência cultural da cidade, que são as feiras livres”.

Os autores do livro, o engenheiro agrônomo Hélio Junqueira e a economista Marcia Peetz, buscaram as origens medievais dos mercados e das feiras populares europeias e, a partir daí, traçaram sua evolução e desdobramentos socioeconômicos e culturais desde que chegaram ao Brasil, trazidas pelos portugueses colonizadores.

O museu expõe também uma mostra dedicada ao público infantil envolvendo a cultura africana, especialmente do Congo. O objetivo é que elas conheçam as temáticas do Museu Afro Brasil de forma lúdica, durante uma visita à exposição de longa duração, tudo isso em meio a brincadeiras e cantigas.
 
O Museu Afro Brasil abre de terça-feira a domingo, das 10h às 17h. Os ingressos custam R$ 6 e a entrada é gratuita aos sábados. O lançamento do livro 100 Anos de Feiras Livres na cidade de São Paulo ocorrerá das 11h às 16h, no dia 23 de janeiro, quando haverá também a abertura das exposições. A ação educativa com as crianças está prevista para acontecer a partir das 14h.

Edição: Aécio Amado