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Forças Armadas reforçam combate ao Aedes aegypti no Rio, mas não em favelas

  • 12/02/2016 18h40publicação
  • Rio de Janeirolocalização
Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil

As Forças Armadas não vão atuar em favelas e áreas de risco nem fazer visita compulsória a imóveis fechados ou sem consentimento do morador,  na segunda fase da força-tarefa que começa amanhã (13), para conscientizar a população sobre o combate ao  mosquito Aedes Aegypti, com a participação de 71 mil militares no estado do Rio de Janeiro, cujo papel será entregar folhetos de esclarecimento à  e identificar focos de transmissão de doenças.

Todos os imóveis urbanos do estado do Rio de Janeiro deverão ser visitados por agentes de saúde até o fim do mês. Essa é a expectativa das autoridades com a entrada em  ação das Forças Armadas. A força-tarefa atuará em todo o Brasil, com a participação de 220 mil militares espalhados pelas unidades da Federação. A presidenta Dilma Rousseff vem ao Rio neste sábado, de manhã, para acompanhar uma das ações da força-tarefa em Santa Cruz, zona oeste da capital.

A ação conta ainda com dez mil agentes de saúde e dez mil agentes comunitários de saúde.  A primeira fase da operação começou em janeiro e consistiu na visita a edifícios públicos e militares, em busca de focos do transmissor de dengue, chinkungunya e vírus Zika. O custo das atividades não foi divulgado.

Nesta primeira semana, o foco será na conscientização da população. O coordenador regional das ações de mobilização e combate ao mosquito na Marinha, almirante de esquadra Sergio Roberto Fernandes dos Santos, explicou que o trabalho de conscientização ocorrerá durante todo o dia em 26 municípios do estado simultaneamente, além de 49 bairros da região metropolitana.

“Nossa única arma serão os folhetos, levando informação à nossa população sobre como combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti, que serão distribuídos nas casas, comércio, restaurantes. Também tentaremos identificar os focos de proliferação do mosquito e agiremos nesses focos”, disse o almirante.

Para o subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, a ajuda das Forças Armadas será essencial para atingir a meta  estipulada pelo Ministério da Defesa, de visitar 100% dos imóveis residenciais urbanos em 30 dias em todo o Estado.

“As Forças Armadas vão atuar de forma complementar à estrutura já montada nos municípios e  aumentar nossa capacidade de mobilização”, disse ele, ao ressaltar que apesar do empenho conjunto, dificilmente será possível diminuir consideravelmente os casos de dengue, Zika e chikungunya.

“Historicamente, março, abril e maio são os meses de pico nos casos de transmissão. Se conseguirmos frear a aceleração do número de casos já será um sucesso”, comentou Alexandre Chieppe. Na capital fluminense, a zona oeste e a central são as áreas maior preocupação. Em março e meados de abril, os agentes de saúde farão novo ciclo de visitas com meta de alcançar novamente 100% das residências no estado.

A atuação em favelas e áreas de risco e a visita compulsória a imóveis fechados ou sem consentimento do morador continuarão sendo atribuições dos agentes de saúde. Caso militares encontrem imóveis abandonados ou fechados, estes imóveis serão marcados e seus locais informados às secretarias municipais de saúde, que vão utilizar os mecanismos legais para visitas compulsórias.

Entre os dias 15 e 19 de fevereiro, efetivos militares capacitados pelas secretarias de saúde do estado e do município vão visitar escolas das redes pública e privada, com o objetivo de reforçar o trabalho de conscientização das crianças e adolescentes sobre evitar a proliferação do mosquito.

Em imóveis fechados, após três notificações, a força policial e agentes de saúde poderão entrar com o auxílio de um chaveiro. Decreto recente do governo do Rio também determinou que, em situações de risco de saúde pública, o morador não poderá recusar a entrada de agentes de endemias dos municípios. Caso haja recusa, a visita será compulsória.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, cerca de 2% dos imóveis no Rio estão fechados. Em municípios de veraneio, entretanto, esse percentual chega a 30% do total imóveis  em algumas épocas do ano.

Edição: Jorge Wamburg