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Foliões relatam assédio, agressões, homofobia e roubo em bloco de carnaval do DF

Publicado em 05/02/2018 - 18:45

Por Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil Brasília

Relatos de assédios, agressões e roubo de celulares foram registrados por pessoas que participaram do bloco carnavalesco Quem Chupou Vai Chupar Mais, realizado no último sábado (3), na região central de Brasília. Na página do evento no Facebook são inúmeras as críticas ao evento, destinado principalmente ao público LGBT e simpatizantes.

A atriz Ariel Pimenta diz que levou socos e foi cercada por um grupo de homens durante a festa. “Homens muito agressivos em suas abordagens, chegavam beijando ou te puxando pelo braço, teve um grupo de seis caras que me rodearam para conseguir um beijo meu”, conta. Ela também reclamou da falta de policiamento no local.

Assédio e agressão a mulheres também foram presenciados pela estudante Sabrina Bastos. “Um cara que parecia estar muito doido praticamente enfiou o rosto nos meios seios e me disse alguma baboseira que eu não lembro direito mas que era sobre meus seios. Na hora eu fiquei morrendo de raiva, mas ao mesmo tempo não respondi porque ele estava muito perto e visivelmente alterado e eu estava encurralada, mesmo que com minhas amigas por perto se ele quisesse me bater ou algo do tipo ninguém poderia fazer nada para impedir”, diz. Ela conta que também viu um casal de lésbicas sendo assediado por um grupo de homens e tentativas de agressão a mulheres.

O publicitário Will Sousa teve o celular roubado do bolso durante a festa. Ele também presenciou um amigo ser agredido enquanto beijava outro homem. “Alguém que passou por eles deu um tapa na cabeça do meu amigo e sumiu na multidão”, diz.

A organização do evento divulgou uma nota oficial sobre os incidentes relatados. “Para nós, é inadmissível qualquer propagação de preconceito e violência. Nosso objetivo sempre será a segurança e diversão de nosso público”, diz o comunicado.

Os responsáveis pelo bloco informaram também que, por se tratar de um evento público e patrocinado pelo governo de Brasília, todas as demandas e estruturas foram solicitadas de acordo com o cronograma estabelecido pela Secretaria de Cultura. “Infelizmente, não cabe a nós restringir o público e ditar a quantidade que será fornecida de cada item; fomos informados a respeito dos fornecedores há pouco tempo antes do evento, mesmo com tanta insistência perante as autoridades responsáveis”

A assessoria da Secretaria de Cultura informou à Agência Brasil que, em termos de estrutura, tudo que foi solicitado pelo bloco foi disponibilizado.

A Polícia Militar (PM) do Distrito Federal informa que, inicialmente, o bloco estimou público de 3 mil pessoas, o que baseou o plano de segurança da corporação. "Ao perceber que o número de pessoas era três vezes maior que o informado, a PMDF solicitou reforços e empenhou todos os esforços para garantir a segurança dos foliões", diz a PM, em nota.

*Texto ampliado às 20h25 para acréscimo das informações divulgadas pela Polícia Militar do Distrito Federal

Edição: Davi Oliveira

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