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O diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, durante entrevista coletiva,  sobre rompimento de barragem em Brumadinho. Tomaz Silva/Agência Brasil

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Presidente da Vale: tragédia de Brumadinho é mais humana que ambiental

Publicado em 25/01/2019 - 22:00

Por Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse na noite de hoje (25) que o rompimento da barragem na Mina Feijão, em Brumadinho (MG), terá um impacto mais humana do que ambiental. Segundo ele, a maior parte das vítimas são funcionários da empresa. "Dessa vez é uma tragédia humana. Estamos falando de uma quantidade provavelmente grande de vítimas. Não sabemos quantas, mas sabemos que será um número grande", disse.

A avaliação foi apresentada durante coletiva de imprensa ao ser questionado se o episódio se equipara à tragédia de Mariana (MG), ocorrida em novembro de 2015, quando se rompeu uma barragem da Samarco, empresa da qual a Vale é uma das acionistas. Na ocasião, 19 pessoas morreram e centenas ficaram desalojados em decorrência da destruição de comunidades. Considerada a maior tragédia ambiental do país, o episódio provocou ainda devastação de florestas e poluição da bacia do Rio Doce.

No caso do rompimento em Brumadinho, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou sete mortes e estima que cerca de 200 pessoas estão desaparecidas. A Vale não divulgou número de mortes. "Mas certamente haverão", disse Schvartsman.

De outro lado, o presidente da Vale avalia que o dano ambiental será menor em comparação com o ocorrido na tragédia de Mariana. "Como a barragem era inativa, o material era razoavelmente seco. E consequentemente, ele não tem poder de se deslocar por longas regiões. A parte ambiental deve ser muito menor e a parte humana terrível", reiterou. Segundo ele, o rejeito não irá além de onde ele está nesse momento.

Schvartsman informou que haviam cerca de 300 funcionários próprios e terceirizados na Mina Feijão quando houve o rompimento. Parte deles estava em um refeitório, que foi soterrado, mas pelo menos 100 foram localizados. O presidente da Vale não soube dizer com segurança o que houve com o sistema de sirenes estruturado para avisar previamente a ocorrência de acidentes. "É provável que elas tenham funcionado, mas a velocidade com que isso ocorreu impediu que se tivesse qualquer benefício".

A Vale organizou um gabinete de crise com a participação de seus diretores. Schvartsman viaja ainda hoje para Brumadinho. Segundo ele, não serão poupados esforços para atender as vítimas. Assistentes sociais e psicólogos já estariam à disposição. 

General view from above of a dam owned by Brazilian miner Vale SA that burst, in Brumadinho, Brazil January 25, 2019. REUTERS/Washington Alves
Vista aérea do local da Mina Feijão, da Vale, em Brumadinho, onde houve rompimento de uma barragem de rejeitos - Reuters/Washington Alves/Direitos Reservados

Barragem

O presidente da Vale disse ser ainda cedo para entender o que aconteceu  e está dilacerado e surpreso com a tragédia. "Esta barragem estava inativa, não recebia mais material. Há mais de três anos ela não opera e estava em processo de descomissionamento [procedimento de eliminação de uma infraestrutura depois de atingir a sua vida útil]". 

Schvartsman disse que em, 26 de setembro de 2018, a estabilidade da barragem na Mina Feijão foi atestada em auditoria da empresa alemã Tüv Süd e que uma leitura dos monitores feita no último dia 10 não mostrou irregularidades.

O presidente informou que o rejeito era composto de sílica e que a capacidade da barragem era de 12 milhões de metros cúbicos, mas ainda não há informação clara sobre o volume que vazou e nem mesmo se a estrutura operava em seu limite. Segundo ele, o material vazado alcançou uma segunda barragem que transbordou, mas não se rompeu. Para comparação, na tragédia de Mariana, 39 milhões de metros cúbicos de rejeito se dispersaram pelo meio ambiente.

 

Texto alterado às 14h46 do dia 29/01/2019 para corrigir informação. O rompimento da barragem da Samarco em Mariana aconteceu em novembro de 2015, e não de 2005, como havia sido informado.

Edição: Fábio Massalli

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