Menino atingido por tiro na cabeça no Rio permanece em estado grave

Publicado em 28/01/2020 - 22:26 Por Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

Foi transferido hoje (28) para a unidade pediátrica do Hospital Estadual Getúlio Vargas, no bairro da Penha, o menino Arthur Gonçalves Monteiro, 5 anos, baleado na cabeça, quando brincava com o pai, Paulo Roberto Monteiro ontem à noite (27) num campo de futebol do Morro de São João, no Engenho Novo, zona norte da cidade, quando começou um intenso tiroteio. O local tem uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Polícia Militar.

O aplicativo Onde Tem Tiroteio (OTT) pediu que às pessoas evitassem o local, devido ao intenso tiroteio no Morro São João. Fundado em 2016, por causa do crescimento descontrolado da violência no estado do Rio de Janeiro, o OTT tem como principal missão retirar todos os cidadãos das rotas dos arrastões, das falsas blitzes e das balas perdidas, com informações que são colhidas, analisadas e divulgadas num curtíssimo espaço de tempo.

A PM, em nota, disse que os policiais foram atacados a tiros por traficantes de drogas. Houve revide e muitos tiros. Após cessar o tiroteio, os militares foram informados que duas pessoas estavam baleadas no campo de esportes da comunidade. Pai e filho foram levados para o Hospital Municipal Salgado Filho. O pai na hora dos tiros tentou proteger o filho, se jogando no chão e colocando seu corpo sobre o da criança. Um tiro atingiu a mão de Paulo Roberto e em seguida se alojou na cabeça do menino.

Atendido rapidamente, Arthur foi operado, mas os médicos decidiram deixar a bala alojada na cabeça da criança. Hoje, por meio de uma medida judicial, a família conseguiu a transferência do menino para a unidade pediátrica do Hospital Getúlio Vargas. Em nota, a unidade de saúde informou que “o estado de saúde permanece grave, mas não há indicação de cirurgia”, informou o boletim médico. 

Arthur está em coma induzido e os médicos avaliam se vão reduzir a sedação gradativamente para analisar a evolução do estado clínico da criança. Paulo Roberto, pai de Arthur, levou 12 pontos na mão e foi liberado. Muito abalado, ele ainda não foi ouvido pela polícia.

O delegado Alan Luxardo, responsável pelo inquérito policial, informou que ouviu, em depoimento, várias pessoas da comunidade e que foram apreendidos os fuzis dos quatro policiais militares que estavam em patrulhamento na hora do tiroteio. As armas vão ser encaminhadas ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli para determinar se o tiro que atingiu Arthur partiu da arma de um dos militares.

Moradores do Morro São João relataram o barulho provocado pelos tiros disparados no confronto. Eles mostraram uma creche na comunidade que fica na linha de tiro do campo de futebol com as paredes tomadas de marcas de tiros.

Edição: Fábio Massalli

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