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Pesquisadores apresentam projetos inovadores para gestão da água em evento no CE

  • 21/06/2017 18h04publicação
  • Fortalezalocalização
Edwirges Nogueira - Correspondente da Agência Brasil

O cenário de seca prolongada no Ceará motivou a pesquisa e o desenvolvimento de projetos para melhorar a gestão dos recursos hídricos, seja no setor produtivo ou nas casas das pessoas. Alguns desses projetos, desenvolvidos por startups, foram apresentados hoje (21) no seminário Água Innovation, que acontece até amanhã em Fortaleza.

Pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), por exemplo, criaram um sistema que contabiliza, via sensores sem fio, o consumo de cada apartamento em condomínios que não têm hidrômetro individualizado. Trata-se de um equipamento que fica interligado no encanamento de água de cada unidade e mede a vazão consumida.

“Com a escassez de água no Ceará, houve contenção de consumo pela companhia de água e, em consequência, a aplicação de multa. Nesses condomínios onde não tem a conta de água individualizada, fica difícil para o gestor do condomínio saber quem está gastando mais ou menos, e, com isso, fazer a cobrança individualizada. Com o equipamento, seria possível os condôminos gerirem seu próprio consumo”, explica o pesquisador do Grupo de Desenvolvimento de Sistemas de Telecomunicações e Sistemas Embarcados (Gdeste), do IFCE, Cleiton Marinho.

Além das startups, representantes de entidades e do governo também participam do evento e mostram suas iniciativas. Ao longo dos últimos seis anos de seca no Ceará, algumas tecnologias tradicionais, como a perfuração de poços, e outras novas, como as adutoras de engate rápido e os sistemas que dessalinizam águas de poços, foram implantadas nos municípios cearenses como forma de minimizar a crise hídrica no estado.

“Provavelmente, vamos passar por um ciclo de chuvas melhores daqui a uns anos para frente, mas depois virá novamente a seca. Esse é um processo cíclico, faz parte da realidade do semiárido. Temos que nos preparar para enfrentar essa realidade”, analisa o diretor de planejamento da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Ubirajara Patrício.

Segundo ele, os comitês de bacias hidrográficas estão realizando, a partir deste mês, a alocação negociada de água, que é a forma como a água disponível nos reservatórios do estado será distribuída para os diversos usuários. Atualmente, o Ceará dispõe de apenas 12,3% do total da capacidade hídrica.

O incentivo ao uso eficiente e sustentável de água é um dos principais objetivos dos produtores rurais e das empresas e indústrias que buscam o Banco do Nordeste para conseguir financiamento do FNE Água. A afirmação é do presidente da instituição, Marcos Holanda. A linha de crédito usa recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e dispõe de condições vantajosas para esse público.

“O melhor uso da água no semiárido passa, necessariamente, pela indústria e pela agricultura. Eles têm dois incentivos básicos: o de custo, pois sabem que usar menos água significa economizar, e o de imagem, pois toda indústria quer estar associada à preservação do meio ambiente. Muitas das indústrias que nos procuram querem reduzir a conta de água usando processos que utilizem menos água.”

Holanda cita ainda o Hub de Inovação do Nordeste (Hubine) como incentivo do banco ao desenvolvimento de projetos de uso racional da água. Inaugurado no ano passado, o local é um centro de incentivo a ideias que podem se tornar empresas. Entre as startups que estão expondo seus projetos no Água Innovation, oito serão selecionadas pelo Hubine para receber mentoria para a modelagem do negócio.

Edição: Davi Oliveira